
Equipamentos médicos vendidos de forma irregular, principalmente pela internet, estão cada vez mais presentes no mercado brasileiro.
Entre os equipamentos comercializados estão medidores de pressão, termômetros, balanças, inaladores e nebulizadores. Além de não seguirem a legislação, os produtos piratas não possuem certificação do Inmetro e podem apresentar falhas na medição ou no funcionamento.
Medidores de pressão ilegais superam os legalizados
Os números mostram o tamanho do problema. No primeiro semestre, foram vendidos cerca de 446 mil medidores de pressão legais no Brasil, contra 506 mil unidades ilegais — uma diferença de aproximadamente 13,5% a favor dos produtos irregulares.
De acordo com Marcelo Moraes, diretor do Inmetro, o crescimento dos produtos ilegais está relacionado à popularização das compras pela internet.
"Isso acontece principalmente pela facilidade de acesso pelo e-commerce, pela falta de conhecimento tanto do dos pequenos comerciantes que vai comprar também das próprias plataformas na hora de maus comerciantes, maus importadores para entregar produtos de baixa qualidade", afirma.
Para combater a venda irregular, o órgão passou a utilizar tecnologia para identificar anúncios de produtos que não estão em conformidade. Entre as estratégias estão o uso de inteligência artificial para rastrear ofertas nas plataformas, a notificação dos responsáveis e a retirada dos anúncios do ar.
Equipamentos podem apresentar resultados errados
Um dos principais riscos dos produtos piratas é a falta de precisão. Uma balança pode indicar um peso diferente do real, enquanto um termômetro pode apresentar uma temperatura incorreta. Já inaladores e nebulizadores podem liberar uma quantidade maior ou menor de vapor do que deveriam.
O problema pode ser ainda mais grave quando o equipamento é utilizado para acompanhar uma condição de saúde. Um resultado incorreto pode fazer com que uma pessoa tome uma decisão inadequada.
A cardiologista Fátima Cintra afirma que médicos recomendam que pacientes monitorem a pressão arterial em casa, mas ressalta que o procedimento deve ser feito com equipamentos certificados pelo Inmetro.
Segundo ela, leituras incorretas podem estar relacionadas ao aumento da mortalidade cardiovascular.
Um paciente que recebe uma leitura equivocada pode, por exemplo, acreditar que a pressão está normal quando, na verdade, não está.
"O paciente perde a oportunidade de fazer um tratamento e ter um benefício não hoje, mas lá na frente".
Como identificar produtos irregulares
O alerta não vale apenas para equipamentos utilizados diretamente na área da saúde. Produtos comercializados sem fiscalização também podem causar prejuízos financeiros ao consumidor.
“Se ele vende uma balança, por exemplo, por quilo, pode entregar 1,2 quilo e cobrar por 1 quilo. O consumidor também pode pagar por 1 quilo e receber apenas 900 gramas. Isso vale para qualquer outro instrumento. Não é um bom negócio”, alerta Carlos Alberto Amarante, presidente da Abrapem.
Uma das recomendações apresentadas na reportagem é verificar a presença do selo do Inmetro antes da compra. Equipamentos sem certificação podem não ter passado pelos controles necessários para garantir que funcionem de acordo com as especificações.
A orientação é redobrar a atenção principalmente em compras pela internet, onde a facilidade de publicação de anúncios pode favorecer a oferta de produtos irregulares.

Um usuário de uma rede social será indenizado em R$ 5 mil após ter a conta desativada sem justificativa específica. A decisão é do 7º Juizado Especial Cível de Natal, que reconheceu falha na prestação do serviço por parte da plataforma digital.
Além da indenização por danos morais, a Justiça determinou o restabelecimento da conta do usuário.
Segundo o processo, o homem utilizava o perfil como principal meio de comunicação com amigos e familiares, além de armazenar fotografias, vídeos e mensagens privadas.
Ele afirmou que, em janeiro de 2026, teve a conta desativada de forma definitiva sob a alegação genérica de violação aos padrões da comunidade. No entanto, segundo o autor, a plataforma não informou qual conduta teria motivado a punição nem ofereceu um meio eficaz para contestar a decisão.
Ainda de acordo com a ação, o usuário tentou resolver o problema administrativamente, inclusive por meio do Procon, mas não conseguiu recuperar o acesso.
Na defesa, a empresa alegou que eventuais restrições decorrem do descumprimento das políticas da plataforma e sustentou que não houve ato ilícito nem dano moral.
Ao analisar o caso, a juíza Luciana Lima Teixeira entendeu que a plataforma não comprovou a suposta infração cometida pelo usuário.
Segundo a magistrada, a empresa apresentou apenas uma justificativa genérica de violação aos padrões da comunidade, sem indicar de forma clara e individualizada a conduta atribuída ao autor.
A decisão também destacou que a empresa demorou a cumprir a ordem judicial que determinou a reativação da conta, o que reforçou a caracterização da falha na prestação do serviço.
Para a juíza, a situação ultrapassou um mero aborrecimento, já que o usuário permaneceu por longo período sem acesso ao principal meio de comunicação e aos registros pessoais armazenados na plataforma.
Na sentença, a magistrada afirmou que, atualmente, as redes sociais são instrumentos relevantes de interação e manifestação da identidade digital e que a privação injustificada de acesso configura violação aos direitos da personalidade.

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) para aumentar as penas dos dois presos que fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, em fevereiro de 2024. Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça foram recapturados 50 dias depois, no Pará.
O órgão pede também o aumento das penas de outros quatro condenados por auxiliar na continuidade da fuga, a única até hoje registrada no sistema penitenciário federal, que conta com cinco presídios de segurança máxima.
No início de agosto, a 8ª Vara Federal em Mossoró condenou a dupla pela fuga e mais quatro acusados pelo apoio logístico, transporte e ocultação dos fugitivos. Todos os réus foram absolvidos, no entanto, da acusação de integrar organização criminosa.
Os outros quatro condenados foram Eliezer Bruno Pacheco dos Santos, Ítalo Santos Sena, Juarez Pereira Feitoza e Jeferson Magno Favacho, presos no Pará durante a operação que resultou na captura dos foragidos.
Pedido do MPF
O recurso movido pelo MPF pede:
o reconhecimento do crime de organização criminosa armada;
a majoração das penas pelo delito de favorecimento pessoal;
a condenação de um dos réus por porte ilegal de arma de fogo;
e a fixação de valor mínimo para reparação de danos materiais e morais coletivos.
Segundo o MPF, as provas demonstram com segurança a existência de uma organização criminosa estruturada e estável, na forma de um núcleo operacional vinculado a um grupo criminoso armado.
No pedido, o MPF apontou “elevado grau de planejamento, coordenação e divisão de tarefas da operação, bem como a utilização de logística complexa".
De acordo com o MPF, ação logística envolveu "três veículos, batedores, motoristas, armamento de guerra (fuzis), documento de identidade falso, aquisição prévia de gêneros alimentícios, vestuário e demais recursos necessários ao deslocamento interestadual de dois dos criminosos mais procurados do país”.
Aumento de pena
O MPF também pediu o aumento das penas pelo crime de favorecimento pessoal, que foram fixadas pela Justiça Federal no patamar mínimo legal - dois meses de detenção - e substituídas por pena pecuniária de um salário mínimo.
Esse cálculo da pena foi considerado pelo MPF como incompatível com a gravidade da conduta, "que resultou no deslocamento de dois presos de alta periculosidade e desencadeou uma das maiores operações de busca já realizadas no Brasil".
Outro ponto contestado pelo órgão foi a absolvição do réu que conduzia um dos carros usados na fuga quanto ao crime de porte ilegal de arma de fogo de uso proibido. A Justiça acatou o argumento da defesa de que ele não teria conhecimento da arma escondida no veículo.
O MPF pontuou que o desconhecimento é incompatível com as circunstâncias da operação, com as provas dos autos, com a análise dos depoimentos realizados na audiência de instrução e com a sequência dos fatos.
Reparação danos materiais e morais
O recurso do MPF ao TRF pede, ainda, a fixação de um valor mínimo destinado à reparação dos danos materiais e morais coletivos provocados pelas infrações penais.
Para o MPF, além dos gastos públicos com a mobilização das forças policiais, por semanas, em diferentes estados da federação (RN, CE e PA), “a fuga constituiu fato absolutamente excepcional, gerando intensa repercussão nacional, abalo à credibilidade do Sistema Penitenciário Federal e profundo sentimento de insegurança coletiva, especialmente nas comunidades diretamente atingidas pelas buscas e pela permanência dos foragidos na região”.
Dupla responde a mais de 80 processos
Rogério da Silva Mendonça, e Deibson Cabral Nascimento, também conhecido como "Tatu" ou "Deisinho", têm mais de 80 processos judiciais no Tribunal de Justiça do Acre - estado de onde saíram transferidos para o Rio Grande do Norte.
Rogério da Silva Mendonça responde a mais de 50 processos, entre os quais constam os crimes de homicídio e roubo. Ele é condenado a 74 anos de prisão, somadas as penas.
Já Deibson Cabral Nascimento tem o nome ligado a mais de 30 processos e responde por crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e roubo. Ele tem 81 anos de prisão em condenações.

Uma mulher de 70 anos perdeu mais de R$ 37 milhões em um golpe envolvendo uma falsa plataforma de investimentos, segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul. O caso deu origem a uma investigação que levou à operação Criptoabate, nesta quinta-feira (13), contra suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada por estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
Como funciona o 'golpe do abate de porcos', fraude que fez aposentada perder R$ 37 milhões em falsos investimentos no RS
São cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e nas cidades de São Paulo e Santos, em São Paulo. Ao todo, 18 pessoas são alvo da operação. Oito delas são alvo de medidas cautelares diversas da prisão. Até as 7h, dois dos investigados tinham sido presos.
Entre os alvos de mandados de prisão, estão três donos de empresas que trabalham com movimentação de criptoativos, por onde o dinheiro teria passado.
De acordo com a polícia, os investigados se passavam por funcionários de uma empresa identificada como TDASX, que fechou após o início das investigações. O g1 tenta contato com os responsáveis pela TDASX, mas não os havia localizado até a última atualização da reportagem.
O diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), delegado Eibert Moreira Neto, afirma que a ideia é quebrar o esquema a partir dos líderes:
"Nossa operação visa atingir não só a camada operacional do esquema, que são pessoas que induzem a vítima ao erro, mas também atacar a camada de cima, que dá os meios para que o crime aconteça", diz.
O advogado que representa a vítima, Bernardo Regueira Campos, diz que foi um longo período até a aposentada reconhecer que havia caído em um golpe. Isso porque, inicialmente, ela parecia estar tendo lucro e a plataforma mostrava rendimentos. Ela só identificou o golpe quando o dinheiro não retornou.
"Só veio se dar conta realmente depois que pediu o saque, o saque não foi feito. Davam a entender e faziam ela acreditar de que ela tinha causado a perda do dinheiro, que tinha feito alguma aplicação que tinha rendido pouco, ou no caso tinha tido um prejuízo, e por isso que não teria o que sacar. Então foram ali algumas semanas até cair a ficha de que tinha sido de fato vítima de um golpe".
Como funcionava o golpe
De acordo com a investigação, a vítima foi incluída em grupos de mensagens que simulavam comunidades legítimas de estudo e investimentos no mercado financeiro.
Nos grupos, havia supostos especialistas, assistentes e outros participantes que interagiam de forma coordenada para criar uma aparência de profissionalismo e segurança.
Os investigados apresentavam análises de mercado, orientações financeiras e resultados aparentemente positivos. Com isso, a vítima era convencida de que os investimentos estavam dando lucro e passava a fazer aportes cada vez maiores.
Conforme a polícia, quando a aposentada tentou retirar o dinheiro, porém, os saques teriam sido bloqueados. A partir daí, começaram a surgir novas cobranças, apresentadas como taxas, impostos ou valores necessários para liberar o patrimônio.
A cada pagamento, uma nova justificativa era apresentada, levando a vítima a continuar transferindo dinheiro na tentativa de recuperar os valores já investidos.
A estratégia é conhecida internacionalmente como "pig butchering", ou "golpe do abate de porcos". Nesse tipo de fraude, os criminosos constroem gradualmente uma relação de confiança com a vítima antes de induzi-la a entregar quantias cada vez maiores.
A polícia identificou pelo menos 140 potenciais vítimas inseridas em ambientes digitais relacionados à mesma dinâmica, além de registros de fraudes semelhantes associados às estruturas financeiras investigadas.
Gerente de banco entre os alvos
Outra frente da apuração envolve possíveis conexões com pessoas ligadas ao sistema bancário. A gerente de um tradicional banco brasileiro está entre os alvos de prisão.
Isso ocorre após a investigação descobrir que, dos 25 primeiros destinatários empresariais dos valores transferidos pela principal vítima, 24 tinham contas em uma mesma instituição financeira, segundo a Polícia Civil.
Depois de entrar nas primeiras contas bancárias, os valores eram distribuídos para outras empresas e intermediadores financeiros até serem transformados em criptomoedas.
A Operação Criptoabate é resultado de uma investigação que durou um ano e seis meses e envolveu análise bancária e telemática, inteligência financeira, técnicas de investigação cibernética e rastreamento de ativos virtuais.
A partir de agora, a polícia pretende analisar o material apreendido, identificar novas possíveis vítimas e envolvidos e localizar bens e valores que possam ser recuperados.
A Polícia Civil alerta para promessas de rentabilidade extraordinária, plataformas de investimento sem credenciais verificáveis e, principalmente, pedidos de novos depósitos para liberar dinheiro que já teria sido investido.

A Polícia Federal (PF) realiza uma nova operação na casa do advogado Nelson Wilians. Ele foi alvo no mês passado de uma operação do Fisco paulista contra fraude no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo e no Paraná.
Os agentes federais cumprem mandado de busca e apreensão na mansão do advogado em São Paulo, em decisão tomada pela Justiça Federal da Paraíba.
O mandado faz parte da chamada Operação Arena, que investiga um grupo empresarial do nordeste suspeito de utilizar estrutura societária e financeira no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e de apostas esportivas.
O principal alvo da ação é a empresa PixBet, da Paraíba. A transação criminosa investigada também envolve a PixStar, empresa fantasma sediada na ilha de Curaçao, no Caribe. A PF detectou pagamentos entre as duas empresas.
Nelson Willians é suspeito de ser o operador financeiro do grupo investigado. Segundo a investigação, ele ocultava bens obtidos pelos criminosos de maneira ilegal, segundo a investigação.

Às vésperas de definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso de inteligência artificial na campanha deste ano, ministros do tribunal destacam que o PL e seu candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, não podem usar vídeos do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua propaganda eleitoral e nas redes sociais.
Motivo: Bolsonaro está proibido, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de fazer manifestações político-eleitorais.
"Seja qual for o resultado do julgamento do TSE, e acreditamos que será por restringir o uso de inteligência artificial na campanha, o PL e Flávio Bolsonaro não podem usar o ex-presidente em sua propaganda eleitoral porque há uma proibição legal do Supremo", disse reservadamente um integrante da Corte Eleitoral ao blog.
Ou seja, na avaliação desse integrante e de outros dois integrantes do tribunal, o uso das imagens de Bolsonaro na convenção do PL foi ilegal.
Posicionamento da PGR
Por sinal, nesta quarta-feira (12), a Procuradoria Geral da República (PGR) deu parecer que pode ajudar a Corte Eleitoral a tomar a sua decisão.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu manter a proibição de que o ex-presidente Jair Bolsonaro faça manifestações de caráter político-eleitoral, o que acabou acontecendo com o vídeo divulgado na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Além disso, a PGR também defendeu a manutenção da proibição de visitas de Flávio ao pai por causa da divulgação do vídeo produzido por inteligência artificial. São decisões tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes e pela Primeira Turma do STF.
Com isso, a tendência é que a Primeira Turma do STF mantenha a situação atual, definida em julgamento com trânsito em julgado, de que Bolsonaro não pode fazer campanha eleitoral enquanto estiver cumprindo sua pena.
Em reunião nesta quinta (13) com seus colegas, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, deve propor multa para Flávio Bolsonaro por divulgar vídeo de inteligência artificial em sua convenção mostrando o seu pai, Jair Bolsonaro, pedindo votos para ele.
Além disso, deve defender restrições no uso de inteligência artificial nas eleições como previsto em resolução do TSE.

786 candidatos registrados para as eleições de 2026 têm informação de cor ou raça diferente da que constava nos dados da Justiça Eleitoral em 2022. Os casos representam 4,5% das 17.413 candidaturas registradas até o momento, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisados pelo g1 e extraídos às 19h30 de quarta-feira (12).
Os dados ainda podem mudar. Partidos, federações e coligações têm até as 19h de 15 de agosto, este sábado, para apresentar os pedidos de registro.
A mudança mais frequente nestas eleições foi de branca para parda, identificada em 308 candidaturas. O caminho inverso, de parda para branca, aparece em 262 casos. Juntas, as duas alterações somam 570 registros, ou 72,5% de todas as diferenças encontradas.
Flávia Rios, socióloga, professora da Universidade de São Paulo e pesquisadora do núcleo Afro-Cebrap, explica que as mudanças nas declarações de cor ou raça já foram observadas em eleições anteriores. Ela lembra que o TSE passou a coletar essa informação em 2014.
“Embora a gente tenha perguntas sobre cor em vários documentos brasileiros desde o Censo de 1872, a pergunta sobre cor no TSE é relativamente recente. Ela é de 2014, quando começa a ser introduzida nos formulários a chamada autodeclaração, seguindo as categorias do IBGE. Desde então, essa movimentação tem chamado a atenção, sobretudo nas eleições subsequentes. Essa oscilação não é nova. Se a gente olha para as eleições anteriores, comparativamente, também houve oscilações nessa mesma direção, de pessoas que aparecem uma hora como brancas, outra hora como pardas, ou vice-versa.”
Em 2022, levantamento do g1 identificou 2.510 candidatos que haviam mudado a autodeclaração de cor ou raça, o equivalente a nove em cada cem candidaturas registradas naquele pleito.
Na ocasião, 938 mudanças, mais de um terço do total, eram de candidatos que haviam se declarado brancos em 2020 e passaram a se declarar pretos ou pardos em 2022.
Ana Cláudia Santano, doutora em Ciências Jurídicas e Políticas pela Universidade de Salamanca e coordenadora-geral da Transparência Eleitoral Brasil, explica que uma mudança na autodeclaração, isoladamente, não indica que houve algo errado.
“Quando a gente fala de alteração da autodeclaração, ela, por si só, não supõe nada errado, porque essa alteração pode se dar por muitas razões, dentre elas erro de preenchimento no registro de candidatura. O erro humano acontece. Também pode ser uma tomada de consciência por parte da pessoa; ou alguma decisão motivada por razões pragmáticas, para tentar aquele financiamento específico das pessoas negras”.
Rios aponta duas hipóteses para explicar as divergências. A primeira envolve a forma como os registros são preenchidos e a mediação das estruturas partidárias.
“Apesar de ser autodeclaração, algumas pessoas que têm estudado mais a fundo a dinâmica de inscrição no interior dos partidos apontam que, às vezes, não é o próprio candidato que faz a classificação. Às vezes existe uma dinâmica interna partidária, e isso acaba sendo uma heteroclassificação, no sentido de que não perguntam ao candidato e simplesmente colocam. Às vezes, a burocracia partidária faz a mediação e, por isso, pode gerar essas inconsistências: uma hora está de um jeito, outra hora está de outro.”
A segunda hipótese é a de que a mudança seja feita de forma intencional para tentar obter recursos destinados às candidaturas negras. A socióloga ressalta, porém, que os dados não permitem determinar se houve essa intenção.

Uma norte-americana filmou de dentro de um carro o momento em que teve um revólver apontado em direção a ela. Não se tratava, no entanto, de um assalto, mas de um agente do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, responsável por caçar e deter imigrantes em situação irregular nas ruas dos EUA por ordem do presidente Donald Trump.
O caso ocorreu na cidade de Falls Church, no estado de Virgínia. Pelas redes sociais, a mulher relatou que foi interpelada pelo agente após ofender um grupo do ICE que estava detendo imigrantes na porta de um escritório de advocacia especializado em atenção à população estrangeira.
Ela acabava de deixar o escritório porque disse fazer atendimento psicológico a imigrantes.
O agente, usando uma máscara que deixa apenas os olhos visíveis, imediatamente sacou uma arma e a apontou em sua direção. No vídeo, ele alegou que a mulher tentou atropelá-los. Ela negou.
"Grave-nos! Você tentou nos atropelar! Eu vou te prender", disse o agente do ICE, enquanto apontava a arma em direção à mulher.
"Sou uma cidadã 'legal'", respondeu a mulher.
Na sequência, ela vira o celular, e é possível ver um grupo inteiro de agentes do ICE ao lado do automóvel. Um deles volta a fazer a acusação de que ela tentou atropelá-los. "Vocês estão mentindo, eu tenho câmera de segurança no carro", refutou a mulher. "Eu não tenho medo de vocês".
Os homens, então, acabam se afastando do carro.
De acordo com o "The New York Times", o Departamento de Segurança Interna dos EUA — responsável pelo ICE — alegou que os agentes haviam sido "abordados" pela mulher, a quemn o departamento chamou de "agitadora anti-ICE".
Desde que o governo Trump ordenou a "caça" a imigrantes nas ruas, há protestos frequentes e denúncias contra a atuação de agentes do ICE. Em duas ocasiões, cidadãos norte-americanos foram mortos a tiros por agentes:
Em janeiro deste ano, um agente disparou contra a norte-americana Renée Nicole Good, de 37 anos. Ela morreu na hora. O ICE alegou que a mulher tentou jogar seu carro contra os agentes, mas filmagens do momento mostram que ela dirigiu em direção contrária;
No mesmo mês, o enfermeiro norte-americano Alex Pretti também foi morto a tiros por agentes do ICE durante um protesto contra a atuação da agência.
As mortes incitaram ainda mais protestos. A então secretária de Segurança Interna dos EUA — pasta responsável pelo ICE —, Kristi Noem, foi demitida do cargo, e o governo Trump anunciou a retirada parcial de agentes das ruas de Minnesota, estado em que ocorreram as mortes.
Neste mês, a direção do ICE anunciou que os agentes passarão a usar câmeras corporais.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou nesta quinta-feira (13) que a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao partido Missão tenha sido fruto de ataque hacker.
Segundo o tribunal, o registro ocorreu por meio do uso indevido da ferramenta por alguém que possuía as credenciais da própria legenda — no caso o Missão — para realizar filiações.
Em nota, o TSE afirmou que o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para adoção das providências cabíveis.
O ministro também determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para apurar o caso.
Mais cedo, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que identificou uma alteração na filiação partidária do senador ao reunir documentos para o registro de sua candidatura e sustentou a hipótese de invasão do sistema.
A advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, disse que é "inequívoco que foi fraudulento".
Flávio gravou um vídeo para suas redes sociais nesta quinta após o ocorrido. Na legenda, o senador afirma que adversários "só sabem jogar sujo", mas que "não funcionou e nem vai funcionar".
"Vocês viram aí que fraudaram a minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir não, porque Deus está no comando e a gente vai conseguir juntos resgatar o nosso Brasil", afirmou na gravação.
O Partido Liberal — do qual Flávio, até então era filiado — protocolou um pedido de desfiliação do Missão, que já está em análise pela Justiça Eleitoral, informou o tribunal.

A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que nunca ficou tão claro que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, quer evitar a reeleição do petista.
A convicção foi reforçada depois que o departamento chefiado por Rubio divulgou vídeo dizendo que o domínio dos Estados Unidos em toda a América "nunca mais será questionado", citando intervenções do governo americano na região, como a ação contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Assessores de Lula comparam a ala ideológica do governo Donald Trump, liderada por Rubio, aos "Pinguins de Madagascar pilotando o Air Force One", referência ao desenho animado em que os personagens aparecem comandando um avião de forma atabalhoada.
Segundo esses assessores, o vídeo publicado pelo Departamento de Estado deixa explícita a política de Rubio de implantar uma espécie de "diplomacia de quintal", tratando a América do Sul como uma extensão da área de influência dos Estados Unidos. E a joia da coroa dessa estratégia seria o Brasil.
No vídeo, o Departamento de Estado apresenta um histórico da Doutrina Monroe, política formulada no século XIX segundo a qual os Estados Unidos deveriam exercer influência predominante sobre as Américas e rechaçar a atuação de potências externas na região.
Hoje, na avaliação desses interlocutores do governo Lula, o principal adversário dos americanos nesse tabuleiro é a China.
O vídeo cita como exemplo dessa demonstração de força a ação dos Estados Unidos contra Nicolás Maduro.
Para assessores de Lula, a referência foi usada para deixar claro que Washington está disposto a agir diretamente para defender seus interesses estratégicos na região.
Na visão desses interlocutores, Rubio transformou a América Latina em uma das principais bandeiras de sua atuação política e tem como objetivo ampliar a influência americana sobre os países do continente.
A publicação foi feita em um momento em que os Estados Unidos têm demonstrado apoio à direita na América Latina.
Trump, por exemplo, apoiou aliados de Javier Milei nas eleições legislativas do ano passado e também defendeu candidaturas conservadoras em outros países da região.
Para assessores de Lula, a estratégia de Rubio é ampliar a presença de governos alinhados à direita na América do Sul. Segundo essa avaliação, falta principalmente o Brasil para completar esse projeto.
Daí, afirmam esses interlocutores, a proximidade com a família Bolsonaro, que mantém grande interlocução com o secretário de Estado de Donald Trump.

Os ataques proferidos pelo presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foram bem recebidos pelso argentinos, de acordo com uma pesquisa do país.
Um levantamento da consultoria argentina Zuban Córdoba apontou que 70% dos argentinos desaprovam o comportamento de Milei com Lula.
No início de agosto, Javier Milei participou da convenção do PL em São Paulo que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Em discurso no ato, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que o impediu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, de "lixo careca", e Lula de "presidiário". No dia seguinte, fez novos ataques ao presidente brasileiro.
As falas fizeram o Itamaraty convocar o embaixador em Buenos Aires e rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina, em ato de protesto.
Segundo a pesquisa da Zuban Córdoba:
70,5% dos entrevistados afirmaram desaprovar a conduta do presidente argentino;
Outros 20% disseram aprovar as ofensas;
e 9,5% não souberam responder.
O levantamento também questionou entrevistados sobre a importância do Brasil e da economia brasileira para a economia argentina. Segundo a consultoria:
88,9% dos entrevistaram responderam achar "importante" essa relação;
Outros 10,5% apontaram acreditar que isso é "desimportante";
e 0,6% disseram não saber responder.
A pesquisa, segundo a Zuban Córdoba, ouviu 1.200 pessoas maiores de 16 anos na Argentina. As entrevistas foram realizadas entre os dias 8 e 10 de agosto deste ano de forma on-line. A margem de erro da pesquisa é de 2,83% para mais ou para menos, e seu nível de confiança é de 95%.

Os 25,9 mil juízes e pensionistas brasileiros receberam, em média, R$ 1.085.070 no ano de 2025, ou cerca de R$ 90,4 mil por mês. O valor é quase o dobro do teto mensal do funcionalismo, fixado em R$ 46,3 mil.
Quando considerados apenas os 22.078 magistrados que receberam pagamentos em todos os meses do ano, a média de remuneração em 2025 sobe para R$ 1.148.678 — cerca de R$ 95,7 mil por mês.
Com isso, cerca de 86,3% — ou 9 em cada 10 juízes — receberam valores acima do teto constitucional, que equivale ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os dados são de uma nota técnica elaborada neste ano por Sérgio Guedes-Reis, pesquisador e auditor de finanças da Controladoria-Geral da União (CGU), para a ONG Republica.org. A nota técnica utilizou informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O estudo mostra que os valores pagos acima do teto no ano passado alcançaram R$ 12,63 bilhões.
Nesta quarta-feira (12), o ministro Alexandre de Moraes afirmou que sete tribunais estaduais continuam realizando o pagamento de "verbas exorbitantes" apesar das novas regras fixadas pela Corte sobre "penduricalhos", e determinou a suspensão dos pagamentos e a devolução de valores.
Os tribunais devem identificar os magistrados que receberam valores indevidos e determinar a devolução do que ultrapassar o limite de 70%.
Grupo seleto
Um grupo de 637 magistrados e pensionistas ganhou mais de R$ 2 milhões no ano de 2025. Para fazer parte dos 10% mais bem pagos da categoria, um juiz precisa receber anualmente cerca de R$ 1,8 milhão, três vezes o teto constitucional.
Ainda segundo a nota técnica, com exceção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) — que não disponibilizou os dados de 2025 inteiro —, todos os tribunais brasileiros tiveram uma mediana remuneratória superior ao teto.
O Tribunal de Justiça de São Paulo foi o que registou a mediana mais elevada, de R$ 1.790.000 no ano — cerca de R$ 149 mil por mês.
A mediana é o valor que fica exatamente no meio de uma lista de números colocados em ordem crescente. Ou seja, metade dos valores está abaixo da mediana e metade está acima dela.
Nesta semana, em evento promovido pelo jornal "Folha de S.Paulo", o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que deve propor uma lei federal de caráter nacional para fixar os salários dos juízes. A minuta dessa nova lei, segundo Fachin, deve ser apresentada até o final deste ano.

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro.
Isso não significa que o Discord está suspenso no país. A determinação atinge apenas a ferramenta de transmissões ao vivo.
A decisão foi tomada por meio de uma medida preventiva e estabelece prazo de três dias úteis para que a plataforma cumpra a determinação.
A ANPD é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que tem como missão zelar pela proteção de dados pessoais de brasileiros.
Segundo a ANPD, a suspensão valerá até que o Discord comprove que adotou medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes durante o uso da plataforma.
O Discord é uma plataforma de comunicação bastante utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários.
Em nota, o Discord afirmou que recebeu a determinação e está "cuidadosamente analisando seu conteúdo".
"A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação", diz o texto.
Na última semana, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que era necessário retirar do ar, "imediatamente", a plataforma Discord. Ela citou o caso de uma menina de 13 anos que teria sido induzida, por um grupo de adolescentes, a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma.
Integrantes da ANDP afirmam que a plataforma vinha sendo monitorada desde o ano passado, antes mesmo da declaração da primeira-dama, e que a suspensão das lives foi decidida com base em uma análise técnica das diversas irregularidades identificadas.
Discord apresentou relatório à Justiça
A decisão ocorre um dia depois de a Advocacia-Geral da União (AGU) informar que recebeu do Discord uma proposta com medidas para reforçar a proteção dos usuários, especialmente de crianças e adolescentes.
O documento foi entregue na segunda-feira (10), após uma série de reuniões entre representantes da empresa, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), da AGU e da ANPD.
Segundo a AGU, as negociações começaram depois que um relatório da Secretaria Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça apontou falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção de crianças e adolescentes adotados pela plataforma.
O governo cobrou da empresa medidas para cumprir a legislação brasileira, incluindo mecanismos de verificação etária, prevenção de riscos e proteção de usuários menores de idade.
A ANPD explica que, por conta da técnica adotada para a prestação de serviço, o Discord não tem acesso ao conteúdo das transmissões de vídeo enquanto elas ocorrem, o que inviabiliza a utilização, no âmbito do servidor, de mecanismos de análise do conteúdo audiovisual e detecção em tempo real de eventuais crimes.
Por isso, a plataforma depende de sistemas automatizados falhos e de denúncias dos próprios participantes.
De acordo com dados da ONG SaferNet Brasil, divulgados pela ANPD, o número de denúncias envolvendo o Discord aumentou 54% na comparação dos sete primeiros meses deste ano com o mesmo período do ano passado. Em 2026 foram 405 denúncias, em comparação com as 264 do mesmo período em 2025.
O que diz o Discord
Veja o posicionamento na íntegra:
“Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo. A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários.
O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação.
Além disso, nossa investigação encontrou evidências de que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuou nessas plataformas após os indivíduos envolvidos terem sido banidos do Discord.
Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas em desarticular a atuação desses grupos, derrubar conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas em nossa plataforma.
Esperamos continuar nossas conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet.”

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), uma operação contra um grupo suspeito de fabricar e distribuir anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados em diversos estados.
Os agentes cumprem 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 32 milhões dos investigados – 25 veículos de luxo serão apreendidos (veja vídeo acima). Até a última atualização desta reportagem, cerca de 30 pessoas foram presas.
Além disso, 13 estabelecimentos foram fechados e 22 perfis em redes sociais foram derrubados.
Entre os alvos de prisão estão Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraiya e apontado como chefe do esquema; a influenciadora Ana Luiza de Nazaré Lima e Alam Manoel Lima. Donos de academia e de lojas de suplementos também foram presos, segundo informações da Polícia Civil. As identidades não foram divulgadas.
As investigações começaram após buscas e apreensões na casa do suspeito apontado como chefe de um dos núcleos do esquema. No celular apreendido, os policiais encontraram várias mensagens com detalhes dos crimes e os diferentes núcleos de atuação.
Os policiais afirmam que os anabolizantes eram produzidos de forma caseira e precárias, com substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes. Médicos veterinários cooperavam, emitindo receitas falsas para a compra de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários.
Para dar mais legitimidade aos produtos, os suspeitos usavam rótulos em língua estrangeira e bandeiras de outros países. Além disso, nutricionistas e treinadores recomendavam as substâncias, afirma a Polícia Civil.
Divisão por estado
Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava em diferentes regiões do país:
No DF, estavam concentradas as bases de fabricação e estocagem, academias vinculadas à divulgação dos produtos e a gráfica utilizada na produção das embalagens;
Em Goiás, havia recebimento de insumos em depósitos, funcionamento de uma farmácia de manipulação envolvida no esquema e movimentação financeira do grupo;
Na Paraíba, os investigadores identificaram um laboratório filial operado a partir de uma mansão alugada e de uma residência de alto padrão à beira-mar, que contava com apoio de familiares, e de uma parceira local no recebimento de insumos importados por correio;
No Paraná, uma fornecedora de fronteira e seu marido coordenavam o fornecimento interestadual das substâncias.
A rede se estendia ainda ao Acre e Minas Gerais, com o escoamento contínuo dos produtos.