
A partir deste sábado, 1º de agosto, a gasolina no Brasil deve ser comercializada com 32% de etanol. Antes, esse percentual era de 30%.
A mudança foi anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho e terá validade de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período.
Segundo o conselho, a medida considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis, e ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que veículos antigos ou sem calibração específica podem apresentar aumento no consumo, corrosão e desgaste de componentes.
O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública no fim de julho, pedindo a suspensão do aumento da mistura de etanol. O argumento do MPF é que os testes não foram realizados de forma conclusiva e que os impactos ambientais não foram devidamente considerados.

Israel não deixará a Faixa de Gaza até que o grupo extremista palestino Hamas se submeta a um "desarmamento genuíno", afirmou uma autoridade israelense à agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (31).
"Não haverá nenhuma retirada das Forças de Defesa de Israel da atual Linha Amarela, a menos que o Hamas passe por um desarmamento genuíno", declarou o oficial, referindo-se à linha de demarcação militar de zonas de segurança acordada no cessar-fogo.
A declaração não oficial - o governo israelense ainda não se pronunciou - ocorre horas depois do Hamas confirmar que aceitou a proposta de acordo feita por mediadores e anunciada nesta quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ghazi Hamad, um dos negociadores do movimento, e duas fontes do alto escalão do Hamas, que falaram sob a condição de anonimato à agência de notícias AFP, disseram que o grupo irá entregar suas armas para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), criado para governar o território após anos de guerra.
No entanto, segundo eles, isso só ocorrerá caso Israel cumpra sua parte e tire suas tropas de Gaza.
O Hamas está fazendo "concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento. Insistimos junto aos mediadores que Israel deve cumprir o acordo", declarou Ghazi Hamad a agências.
De acordo com as fontes, o Hamas espera que os mediadores e o Conselho da Paz garantam que os israelenses cumpram o que foi estabelecido.
Trump comemorou 'acordo histórico' em rede social
Israel ainda não reagiu oficialmente ao acordo, anunciado na noite de quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o definiu em sua rede Truth Social como "um acordo histórico" e "um passo monumental rumo a uma paz e segurança duradouras".
O Conselho da Paz, criado por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, também confirmou, em uma publicação no X, que o Hamas havia "aceitado um mapa do caminho detalhado para implementar as próximas fases do cessar-fogo em Gaza".
"Agora, nossa atenção está voltada para a implementação", escreveu a organização, acrescentando que o NCAG "começará em breve uma transição gradual rumo à plena autoridade".
Trump, em uma publicação anterior, afirmou que, uma vez que o Hamas estiver desarmado, "as forças israelenses vão se retirar e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza".
A Força Internacional de Estabilização é uma estrutura em processo de criação que reunirá tropas de vários países sob a direção do Conselho da Paz. A entrada da organização foi autorizada por Israel no domingo (25).
As negociações que levaram ao acordo
Negociações aconteciam há semanas no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que tem como objetivo pôr fim de forma definitiva à guerra.
O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel após o cessar-fogo assinado em outubro.
Segundo Trump, a entrega das armas é uma fase crucial para avançar em direção à instalação de um novo governo palestino no território. Israel controla mais de 60% de Gaza e exigia o desarmamento completo do Hamas e dos demais grupos palestinos antes de qualquer avanço no plano.
Apesar dos anúncios, uma fonte política israelense disse à AFP que o acordo proposto não soluciona "de forma satisfatória" as demandas de Israel por uma desmilitarização completa de Gaza, e que ele não foi debatido no encontro de Trump com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca.
No início de julho, o Hamas anunciou a dissolução do comitê que administrava os assuntos civis da Faixa de Gaza desde 2007 e declarou querer transferir estas responsabilidades ao NCAG.

As contas do setor público consolidadas apresentaram um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (31).
O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de superávit primário.
O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
Na comparação com junho do ano passado, houve piora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 47,1 bilhões naquele mês.
Ao incluir no cálculo as despesas com juros, o rombo soma R$ 1,32 em doze meses até junho, ou 10% do PIB.
A sucessão de déficits nos últimos anos, relacionados com a alta de gastos públicos, tem pressionado a dívida pública, que já subiu 10 pontos no atual governo Lula, o maior nível em mais de cinco anos.
Veja abaixo o desempenho das contas em junho deste ano:
governo federal registrou saldo negativo de R$ 47,2 bilhões;
estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 6,6 bilhões;
empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,47 bilhão.
Parcial do ano
No acumulado do primeiro semestre deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 80,2 bilhões — o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo positivo de R$ 22 bilhões (0,35% do PIB).
Essa piora está relacionada, entre outros fatores, com a antecipação no pagamento de precatórios neste ano pela Secretaria do Tesouro Nacional.
No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 93,4 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 12,3 bilhões nos seis primeiros meses de 2025.
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 52 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 166 bilhões nas contas do setor público em junho.
No acumulado em 12 meses até junho, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,32 trilhão, ou 10% do PIB.
Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
"O déficit nominal do setor público foi de R$ 1,3 trilhão em 12 meses até junho, 10% do PIB. Não ter urgência para resolver a raiz do problema da despesa da dívida só aumenta o custo do ajuste", avaliou Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, em rede social.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano, patamar elevado.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,16 trilhão (8,8% do PIB) em doze meses até junho deste ano.

Uma nova onda de imigração colocou a cidade espanhola de Ceuta no centro de uma crise migratória nesta semana. Milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre o Marrocos e a cidade autônoma espanhola, principalmente pelo mar, o que levou o governo da Espanha a enviar militares para reforçar a segurança.
Quantas pessoas chegaram?
Cerca de 60 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas, afirmou nesta sexta-feira (31) o Ministério do Interior da Espanha. A maioria é formada por jovens marroquinos, mas também há famílias e crianças.
Mais de metade deles já havia sido retornado a Marrocos durante esta sexta, segundo o Ministério espanhol.
O fluxo já vinha se intensificando ao longo da última semana, e os centros de acolhimento da cidade já estavam próximos do limite antes da nova onda de chegadas.
Quantas pessoas morreram?
Pelo menos 57 pessoas morreram durante a travessia, informou o governo da Espanha. Os corpos foram recuperados nas águas pelas forças de segurança espanhola.
A rota entre o norte da África e a Espanha é considerada uma das mais perigosas para migrantes.
Organizações humanitárias registram centenas de mortes todos os anos em tentativas de travessia pelo mar.
O caso de Ceuta não chega a configurar uma travessia pelo Mediterrâneo, uma vez que a cidade também fica no Norte da África, mas ainda assim parte dos imigrantes chegaram pelo mar, nadando ao longo da costa.
Onde é a cidade de Ceuta?
Ceuta é um exclave, uma cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Junto com Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África.
A cidade fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Apesar de pertencer à Espanha há séculos, o Marrocos reivindica a soberania sobre o território, o que gera atritos diplomáticos recorrentes.
Por fazer parte da Espanha, Ceuta também integra a União Europeia. Para muitos migrantes, entrar na cidade representa a primeira porta de acesso ao bloco europeu.
Como a Espanha reagiu?
O governo espanhol enviou unidades do Exército para apoiar a Guarda Civil e a polícia, que afirmaram estar sobrecarregadas diante do volume de pessoas chegando à fronteira.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou uma visita para esta sexta-feira (31) a Ceuta ao lado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. O governo também prometeu reforçar a cooperação com o Marrocos para controlar a fronteira e acelerar os processos de retorno de migrantes quando houver base legal para isso.

Um policial militar aposentado de 61 anos foi preso preventivamente no Rio Grande do Norte suspeito de envolvimento no homicídio de um turista do Paraná, em março deste ano, na cidade de Cabedelo, na Paraíba.
A prisão aconteceu nesta quarta (29), em uma propriedade na zona rural no município de Senador Elói de Souza, a 75 quilômetros de Natal.
O crime aconteceu no dia 21 de março, em Cabedelo, na Grande João Pessoa. O turista do Paraná Diego Ferreira da Silva, de 33 anos, foi morto a tiros enquanto caminhava com a filha na praia de Ponta de Campina.
A Polícia Civil não informou o nome do suspeito preso e a motivação do crime. À época do crime, o delegado Ivaney Ferreira, responsável pelo caso, informou que as características do ataque indicavam que o crime foi uma execução.
Durante a ação, os policiais apreenderam um veículo de luxo, uma arma de fogo de grosso calibre e outros materiais de interesse para a investigação. Todos os itens recolhidos serão submetidos à perícia.
Após a prisão, o homem foi conduzido a uma unidade policial para os procedimentos legais. Em seguida, ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE) identificou irregularidades na gestão do quadro pessoal do Departamento de Trânsito do RN (Detran-RN). As regularidades são relacionadas à composição da força de trabalho, controle de frequência, pagamento de gratificações e registro de informações funcionais.
Por conta disso, o TCE determinou que o Detran adote uma série de medidas para a regularização do quadro de pessoal e da folha de pagamento do órgão. A adoção de providências deve ocorrer em um prazo de 90 dias.
Em nota, o Detran informou que não havia sido oficialmente notificado pelo TCE da decisão e que, assim que houver o recebimento formal da notificação, vai analiasar o conteúdo em conjunto com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE/RN), "adotando as providências administrativas e jurídicas que se fizerem necessárias para o integral cumprimento das determinações eventualmente estabelecidas pelo órgão de controle, em estrita observância à legislação vigente".
O órgão reafrimou "compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às decisões dos órgãos de controle e fiscalização da administração pública".
São citados no documento irregularidades como:
excesso de vínculos precários (sem garantia de estabilidade) em comparação ao número de servidores efetivos;
manutenção de aposentados em atividade;
elevado número de cessões de servidores;
casos de acúmulo irregular de cargos públicos;
falhas no controle de frequência dos servidores;
inconsistências nas informações encaminhadas ao Sistema Integrado de Auditoria Informatizada de Pessoal (SIAI-DP);
Concessão de Gratificação de Representação de Gabinete (GRG) acima dos limites estabelecidos; e
pagamento de adicional de insalubridade sem a devida comprovação técnica.
A decisão foi aprovada por unanimidade pelo TCE em sessão no dia 23 de julho deste ano. O relator foi o conselheiro Paulo Roberto Chaves Alves.
"A auditoria constatou, por exemplo, que todos os servidores do Detran/RN estavam cadastrados com carga horária igual a zero hora semanal e identificou divergências entre os valores informados ao sistema e aqueles divulgados no Portal da Transparência", informou o TCE-RN.
Análise da gestão durante três meses
A auditoria analisou a gestão de pessoal do órgão entre janeiro e março de 2021.
Durante a tramitação do processo, o TCE reconheceu que parte das irregularidades começou a ser enfrentada pelo Estado com a publicação do edital do Concurso Público Unificado, neste ano, que abriu 175 vagas no Estado, inclusive para o Detran.
Por contra do concurso, os conselheiros consideraram prejudicada a proposta de celebração de Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), que havia sido sugerida durante fiscalização.
Medidas exigidas pelo TCE
No documento, o TCE determinou que o Detran apresente, em até 90 dias, algumas medidas para resolver os problemas no quadro pessoal do cargo.
Entre as medidas estão:
um plano de ação para substituição gradual dos vínculos precários por servidores aprovados em concurso público;
a comprovação do encerramento de contratos de agentes já aposentados pelo Regime Geral de Previdência Social;
a apresentação de informações sobre servidores cedidos e eventual quadro suplementar
e a regularização de casos de acúmulo de cargos.
O órgão estadual também deve implantar um registro biométrico de frequência, adequar a concessão da Gratificação de Representação de Gabinete aos limites previstos em decreto estadual e apresentar os processos administrativos de análise da legalidade do pagamento de adicional de insalubridade.
A decisão determina que a Secretaria de Estado da Administração (Sead/RN) deve corrigir informações registradas no SIAI-DP.
Jornada de 40 horas, recomenda Tribunal
Além das determinações, o TCE recomendou ao Detran/RN que - na ausência de norma específica que estabeleça carga horária diversa - os servidores efetivos cumpram jornada de 40 horas semanais, conforme previsto no Regime Jurídico Único dos Servidores do Estado.
O Tribunal também determinou o envio de cópias da decisão ao Detran/RN, à Controladoria-Geral do Estado e ao Ministério Público Estadual.
"O cumprimento das medidas será acompanhado pela Diretoria de Controle de Pessoal e Previdência do TCE/RN, que realizará o monitoramento das determinações e poderá propor novas ações fiscalizatórias, caso necessário", informou o TCE.

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal 11 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa responsável por um esquema de contrabando de cigarros que movimentou cargas no Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Entre agosto de 2024 e novembro de 2025, foram apreendidos 3,4 milhões de maços de cigarros contrabandeados, avaliados em aproximadamente R$ 14 milhões, de acordo com o órgão.
Segundo as investigações, a organização aproveitava áreas de salinas entre os municípios de Porto do Mangue e Macau para desembarcar cigarros contrabandeados transportados por embarcações vindas do exterior.
Segundo o MPF, o grupo é investigado pelos crimes de organização criminosa, contrabando qualificado e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados estão empresários, motoristas e um policial militar.
A denúncia é resultado da Operação Karkinos, deflagrada em novembro de 2025 pelo MPF e pela Polícia Federal, com apoio das polícias Civil e Militar, da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Ainda segundo o Ministério Público, os desembarques ocorriam durante a maré cheia para facilitar a entrada dos barcos em canais de difícil acesso.
Depois de chegar ao estado, a carga era transportada em caminhões escoltados por veículos que atuavam como "batedores", monitorando a presença de policiais nas rodovias, conforme a investigação.
Os cigarros eram armazenados em depósitos localizados em Riachuelo e São Paulo do Potengi, no Rio Grande do Norte, e em Algodão de Jandaíra, na Paraíba. Em seguida, eram distribuídos para outros pontos de comercialização nos três estados.
Os 11 denunciados vão responder, conforme o MPF,pelos crimes de organização criminosa, contrabando qualificado e lavagem de dinheiro.

Um carro ficou destruído na manhã desta sexta-feira (31) após bater em um poste e pegar fogo na Via Costeira, em Natal. O condutor do carro apresentava sinais de embriaguez e foi preso, segundo o Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE). Ele não ficou ferido.
Um homem que caminhava no calçadão foi atingido pelo poste - que atravessou a pista na queda - e teve lesão em um dedo da mão direita. Ele foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no próprio local.
O acidente aconteceu por volta das 5h45, no sentido de Ponta Negra para a Praia do Meio.
Testemunhas relataram que o motorista fazia uma curva quando perdeu o controle do carro, subiu no canteiro central da pista e colidiu com o poste, que caiu em seguida.
O próprio condutor tentou apagar as chamas com o extintor automotivo, mas não conseguiu. O veículo ficou totalmente destruído.
De acordo com o CPRE, o motorista se recusou a realizar o teste de alcoolemia, mas foi preso "pelos visíveis sinais de embriaguez" e encaminhado à Central de Flagrantes.
Testemunhas falaram que ele ainda tentou fugir do local, mas foi impedido por populares, que acionaram a polícia.
Acionado, o Corpo de Bombeiros informou, em nota, que utilizou técnicas específicas para controle e extinção das chamas, "evitando que o fogo se propagasse para a vegetação e outras áreas próximas".
Após a extinção do incêndio, foi realizado o rescaldo para eliminar possíveis focos remanescentes e garantir a segurança da área.

Onze presos fugiram na manhã desta sexta-feira (31) da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte (Seap).
De acordo com a Seap, 13 internos conseguiram deixar a cela por volta das 5h30, mas dois acabaram capturados na área externa do próprio presídio.
Os presos fugiram após arrancarem o vaso sanitário da cela e cavarem um túnel em seguida. Uma grande quantidade de areia foi encontrada na cela após a fuga
Os fugitivos são:
Cleidson Martins Dantas;
Thiago da Silva Maia Braga;
Diogo da Luz Silva;
Isaac Donato Rodrigues;
Kaio do Nascimento Gomes;
Tiago Nogueira da Silva;
Petrúcio Railande dos Santos;
Jackson Matheus Martins Simões;
Jonatas Ferreira Isis Dorea da Silva;
Eliandson Luciano de Lima;
Julianderson Francisco Nogueira.
Segundo a Seap, todos os fugitivos estavam na mesma cela. Apenas um detento permaneceu na cela, enquanto os outros 13 saíram.
Os 11 fugitivos conseguiram pular o muro da penitenciária, momento em que o sistema interno da penitenciária alertou sobre a fuga. Os policiais penais, então, encontraram dois detentos ainda dentro do presídio, na área externa, que foram recapturados.
Segundo a Seap, "a ação foi percebida pelos policiais penais de plantão responsáveis pelo monitoramento das câmeras de vigilância da unidade".
"As Forças de Segurança realizam diligências ininterruptas para localizar e recapturar os foragidos. As circunstâncias da ocorrência serão apuradas por meio de procedimento administrativo", informou, em nota, a Seap.
Até a atualização mais recente desta reportagem, às 12h30, nenhum dos 11 presos que conseguiram escapar da penitenciária havia sido recapturado.
Presos arrancaram vaso sanitário e fizeram túnel
De acordo com o secretário de Administração Penitenciária, Helton Edi Xavier, os presos escaparam após retirar o vaso sanitário da cela e cavarem um buraco.
"Eles tiraram o vaso sanitário, que é uma estrutura que a gente tem lá de alumínio e concreto. Eles arrancaram o vaso, obviamente tem um buraco no vaso, por onde saem os dejetos, cavaram, fizeram uma espécie de túnel para empreender fuga", explicou.
Uma grande quantidade de areia foi encontrada na cela pelos policiais penais, inclusive embaixo dos colchões dos presos.
O secretário afirmou que o túnel não foi cavado em apenas um dia e que a pasta vai investigar o que possibilitou a fuga, inclusive se houve negligência ou facilitação.
"O que é que a gente já pode perceber é que não foi um trabalho que foi feito do dia para a noite. Isso provavelmente já vinha sendo feito há alguns dias lá. Então é isso que a gente tem que apurar, quais foram as circunstâncias dessa fuga", completou.
Penitenicária Rogério Coutinho Madruga
A Penitenciária Rogério Coutinho Madruga era conhecida antigamente como Pavilhão 5 de Alcaçuz por ficar exatamente ao lado do maior presídio do Rio Grande do Norte onde, em 2017, ocorreu uma rebelião na qual pelo menos 26 presos morreram - quase todos decapitados - e 56 fugiram. O episódio ficou conhecido como Massacre de Alcaçuz.
A fuga mais recente registrada no presídio Rogério Coutinho Madruga havia sido em 2024, quando dois internos que eram "qualificados para serviços", como são chamados os presos de confiança, fugiram em plena luz do dia. Eles trabalhavam em uma obra na unidade. A dupla acabou recapturada.
Já a Penitenciária de Alcaçuz, que fica ao lado, registrou uma fuga de cinco presos em maio deste ano após quase cinco anos sem registro. Quatro foram recapturados.

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a 12 anos de prisão um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) por estuprar uma estudante de graduação da instituição, que morreu em decorrência do crime.
O caso aconteceu em 2020.
A decisão da 14ª Câmara de Direito Criminal, publicada no início do mês, revisou uma sentença de primeira instância que havia absolvido o réu por falta de provas.
Relatora do caso, a desembargadora Fátima Gomes afirmou que os relatos feitos pela jovem antes de morrer foram consistentes e confirmados por testemunhas, documentos médicos e laudos periciais.
A estudante morreu dias depois, após desenvolver uma grave infecção na região genital que evoluiu para septicemia. O conjunto de provas demonstrou que Felipe Ramos ofereceu à estudante um copo de bebida alcoólica "batizada" e aproveitou da incapacidade de resistência para manter relação sexual.
A defesa sustentou a tese de que a relação foi consensual, mas o argumento foi invalidado pela juíza.
"O fato de a vítima ter aceitado ir ao Crusp, ou mesmo de ter manifestado interesse inicial pelo acusado, não autoriza concluir que tenha consentido com a prática sexual posteriormente realizada, muito menos em contexto de inconsciência, amnésia ou incapacidade de resistência", registrou a relatora.
O g1 entrou em contato com a defesa de Felipe, que informou que não irá se manifestar.
Em nota, a USP lamentou o ocorrido e disse que se solidariza "com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de violência". Em relação ao caso, a universidade informou que não encontrou registros ou denúncias em seus canais institucionais e que o criminoso não tem mais vínculo com a USP
O que aconteceu
De acordo com a denúncia, os dois se conheceram em 5 de fevereiro de 2020 no restaurante universitário. O criminoso era aluno da pós-graduação em Geografia Humana, e a vítima era estudante de Biologia e colaboradora da área de informática da universidade.
Após conversarem no bandejão, o pesquisador convidou a estudante para ir até seu apartamento no Conjunto Residencial da USP (Crusp), onde morava.
Segundo a acusação acolhida pela Justiça, o homem entregou à jovem um copo de cerveja contendo uma substância química. Após ingerir a bebida, ela sentiu um gosto estranho, perdeu a consciência e ficou temporariamente incapaz de reagir. O estupro teria acontecido nesse momento.
Pela manhã, a estudante acordou assustada, sem as roupas íntimas e deixou o local. Ainda nos dias seguintes, a vítima contou à irmã e a um amigo que acreditava ter sido dopada e abusada sexualmente. Também passou a apresentar dores, febre, inchaço e lesões na região genital.
No dia 17 de fevereiro, procurou atendimento médico. Depois de relatar que havia sido estuprada, foi encaminhada ao Hospital Pérola Byington, referência no atendimento a vítimas de violência sexual. Quatro dias depois, morreu em decorrência de septicemia, doença provocada por um inflamação generalizada no organismo.
Relatos antes da morte
Como a estudante morreu antes do julgamento, seu depoimento nunca foi colhido em juízo. Mesmo assim, o TJ-SP considerou que a narrativa apresentada por ela em vida foi reproduzida de forma consistente por pessoas diferentes.
Um amigo próximo relatou que a estudante disse ter conhecido um pesquisador da USP, ter mantido relação sexual, mas demonstrava confusão e não conseguia explicar exatamente o que havia ocorrido. Depois do encontro, segundo ele, a jovem apresentou medo, falta de ar, abalo emocional, perda de libido e receio de ter contraído alguma doença sexualmente transmissível.
Para os desembargadores, os depoimentos ganharam mais força porque foram compatíveis com os relatos feitos pela estudante às médicas e à psicóloga que a atenderam no Hospital Pérola Byington.
A ginecologista que atendeu a vítima disse que a paciente chegou ao hospital com diversas lesões internas e externas na região genital e forte processo inflamatório, que impedia até mesmo um exame ginecológico completo. A médica também relatou que, desde o primeiro atendimento, a jovem afirmou ter sido vítima de violência sexual.
Outra médica relatou que a paciente apresentava infecção generalizada, evoluiu rapidamente para insuficiência respiratória, precisou ser internada em UTI e morreu dias depois.
O que diz a USP
Em nota, a universidade disse:
"A USP lamenta profundamente os fatos relatados e se solidariza com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de violência, assédio ou qualquer forma de violação de direitos. A USP entende que episódios dessa natureza causam sofrimento às vítimas, impactam toda a comunidade universitária e reforçam a necessidade permanente de prevenção, acolhimento e combate a todas as formas de violência.
Nos últimos anos, a Universidade tem fortalecido de forma contínua suas políticas de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero e às demais violações de direitos. Em 2016, foi criado o Escritório USP Mulheres para desenvolver ações e projetos voltados para a igualdade de gênero e empoderamento feminino na Universidade. Além de realizar palestras, treinamentos, campanhas de conscientização e pesquisas, o escritório também fazia parte de uma rede de acolhimento a vítimas de agressão e assédio, formada por outros serviços da USP, coletivos e órgãos públicos.
Com a criação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), em 2022, essas ações ganharam ainda mais impulso. Por meio da Diretoria de Mulheres, Relações Étnico-Raciais e Diversidades, a USP desenvolve políticas voltadas à promoção da inclusão, do pertencimento e da proteção da comunidade universitária, buscando garantir um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todas as pessoas.
Além da Comissão de Direitos Humanos da USP, as unidades e os campi instituíram, nos últimos anos, cerca de 40 subcomissões de direitos humanos, organizadas de acordo com as características de cada local. Essas instâncias exercem papel essencial no acolhimento de pessoas que relatam situações de assédio ou outras violações de direitos, oferecendo escuta qualificada, orientação e mediação de conflitos. Em diversas unidades, esse trabalho também é realizado pelas Comissões de Inclusão e Pertencimento.
A Universidade também implantou o Sistema USP de Acolhimento (SUA), criado para prevenir violações de direitos humanos, oferecer orientação à comunidade universitária, receber relatos e encaminhar denúncias aos órgãos competentes, fortalecendo a rede institucional de proteção e acolhimento.
Em relação ao caso em questão, a Universidade informa que não foram encontrados registros ou denúncias em seus canais institucionais destinados a esse fim. Dessa forma, não houve nenhum tipo de averiguação ou investigação interna, já que o início desses processos se dá justamente a partir da denúncia ou registro realizado. O envolvido no caso não tem mais vínculo com a Universidade."

As condições extremas que ajudaram a alimentar os grandes incêndios registrados neste mês de julho na Espanha ficaram pelo menos 20 vezes mais prováveis por causa da mudança climática provocada pelo ser humano.
No sudoeste da França, a influência do aquecimento global ao menos dobrou a chance de um cenário semelhante, aponta uma análise da World Weather Attribution (WWA), uma rede internacional de cientistas que estuda a relação entre as mudanças climáticas e eventos meteorológicos extremos.
O estudo não investigou o que iniciou cada incêndio. Os pesquisadores avaliaram como a combinação de temperaturas elevadas, falta de chuva e ventos criou um ambiente favorável para que o fogo se espalhasse rapidamente e se tornasse mais difícil de controlar.
No clima atual, condições com essa intensidade são esperadas, em média, uma vez a cada seis anos no centro da Espanha e uma vez a cada 20 anos no sudoeste francês.
Em comparação com um planeta cerca de 1,4°C mais frio, a intensidade desse conjunto de fatores aumentou aproximadamente 42% na Espanha e 46% na França.
“Condições meteorológicas severas para incêndios já não são raras no clima atual”, disseram os autores no estudo.
Um dos pontos centrais da análise é a sequência de extremos registrada desde o início do ano. A Espanha teve o janeiro mais chuvoso dos últimos 25 anos, o que favoreceu o crescimento da vegetação.
Depois, uma primavera seca e um verão marcado por ondas de calor retiraram a umidade do solo e ressecaram plantas, gramíneas e arbustos.
Na França, sucessivas ondas de calor e a escassez de chuva também reduziram a umidade do solo e aumentaram o estresse sobre pinheiros e arbustos.
Os incêndios se aproximaram de regiões populosas e destinos turísticos, provocando grandes evacuações e espalhando fumaça por centenas de quilômetros.
Os pesquisadores analisaram os sete dias com as condições mais graves para incêndios em cada região.
Para isso, usaram um indicador que reúne calor, umidade, vento e o ressecamento da vegetação e mostra o grau de dificuldade para controlar um incêndio depois que ele começa.
A diretora do Centro Basco de Mudança Climática, María José Sanz, afirmou que os episódios registrados na França e na Espanha foram favorecidos tanto pelas condições climáticas quanto pela forma como as áreas florestais são administradas.
Segundo ela, o abandono de terras rurais também contribuiu para o acúmulo de vegetação em florestas, pastagens e áreas de mato.
“Esses incêndios vão passar a fazer parte da nossa realidade”, disse Sanz, em comentário divulgado pelo Science Media Centre España.
A fumaça também representa um risco para a saúde. Segundo a pesquisadora, os incêndios liberam poluentes, especialmente partículas finas, e podem obrigar milhares de pessoas a permanecer dentro de casa por causa da piora na qualidade do ar.
Outros especialistas ouvidos pelo Science Media Centre España ressaltaram que o levantamento avalia principalmente as condições meteorológicas.
O tamanho e a gravidade de um incêndio também dependem do relevo, da quantidade e da distribuição da vegetação, da origem do fogo, da ocupação humana e da rapidez da resposta das equipes de emergência.
Eduardo Rojas Briales, professor da Universidade Politécnica de Valência, afirmou que uma das limitações do trabalho é “restringir-se às análises meteorológicas sem considerar as condições concretas do incêndio, da área atingida e da operação de combate”.
Já Víctor Riera, da Fundação Pau Costa, avaliou que o estudo usou métodos consolidados e funciona como um alerta diante de episódios que ocorreram ao mesmo tempo e mais cedo do que o esperado na temporada de incêndios.
“O artigo é, acima de tudo, um chamado de atenção”, afirmou Riera.
A conclusão dos pesquisadores é que combater as chamas continuará sendo essencial, mas não será suficiente.
Reduzir o risco exigirá manejo da vegetação, planejamento de cidades e áreas rurais, diversificação das florestas, sistemas de aviso e cooperação entre países.
O estudo também afirma que limitar o agravamento futuro dependerá da redução rápida do uso de combustíveis fósseis.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito civil para investigar a atuação de policiais militares que entraram armados na escola Antônio Bento, na Zona Oeste da capital, após a denúncia de um pai de aluna sobre uma atividade pedagógica envolvendo a orixá Iansã.
A investigação teve como base depoimentos, documentos e a análise das imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos. Para o Ministério Público, os elementos reunidos até o momento não apontam a existência de crime que justificasse a atuação policial na escola, tornando a diligência "injustificada".
O procedimento cita ainda que a Secretaria da Segurança Pública decidiu, em apuração preliminar, não instaurar inquérito policial militar nem sindicância contra os agentes por entender que não havia indícios de transgressão disciplinar.
O promotor afirma que pretende aprofundar a investigação para verificar eventual violação ao direito à educação e ao livre exercício da atividade pedagógica, considerando a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
O inquérito também incorporou uma representação apresentada pelo Movimento Brasil Laico, que passou a integrar o procedimento já em andamento no Ministério Público.
Relembre o caso
O episódio ocorreu em 11 de novembro de 2025, quando o pai de uma aluna de 4 anos acionou a Polícia Militar alegando que a filha estaria sendo obrigada a participar de uma "aula de religião africana" após fazer um desenho com o nome da orixá Iansã. Posteriormente, a Secretaria da Segurança Pública confirmou que o homem é soldado da Polícia Militar da ativa.
Após o chamado, 12 policiais militares entraram na EMEI Antônio Bento, um deles portando um fuzil, para atender à ocorrência. Especialistas ouvidos pelo g1 avaliaram que o emprego de um grande efetivo armado em uma escola de educação infantil era desproporcional para uma ocorrência sem qualquer indício de violência.

A norte-americana Lindsay Clancy chorou no tribunal nesta quarta-feira (29) enquanto jurados ouviam a ligação feita ao serviço de emergência 911 pelo então marido dela, Patrick Clancy, após ele encontrar os três filhos do casal mortos na casa da família, nos Estados Unidos, em janeiro de 2023.
Na gravação, de cerca de sete minutos, Patrick conversa primeiro com a esposa, que estava gravemente ferida e sangrando no quintal após pular da janela do segundo andar da casa.
"Olhe para mim. Diga meu nome", afirma ele.
Em seguida, Patrick diz à atendente do 911 que vai procurar as crianças. Pouco depois, começa a gritar e chorar ao encontrá-las no porão da residência. Sem entender o que havia acontecido, a atendente pergunta repetidas vezes o que estava ocorrendo.
"Ela matou as crianças!", responde ele aos gritos.
Três anos após as mortes, o julgamento se concentra no estado mental de Lindsay Clancy no momento do crime. A defesa tenta convencer os jurados de que ela sofria de psicose pós-parto, um transtorno psiquiátrico raro associado ao estresse, à privação de sono e às alterações hormonais após o parto.
Já a Promotoria afirma que Clancy, ex-enfermeira obstétrica, matou intencionalmente os filhos Dawson, de 3 anos, Cora, de 5, e Callan, de 8 meses, em janeiro de 2023, e deve ser responsabilizada criminalmente pelas mortes.
Na abertura do julgamento, na segunda-feira (27), o advogado de defesa afirmou que Lindsay tinha transtorno bipolar e que antidepressivos prescritos após o nascimento do terceiro filho agravaram o quadro.
Segundo ele, no dia do crime ela ouviu uma voz dizendo: "Esta é sua última chance. Mate as crianças para que você possa se matar".
Se for condenada por homicídio, Lindsay poderá receber prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Caso os jurados concluam que ela não tinha responsabilidade criminal por causa da condição mental, ela será internada em uma instituição psiquiátrica estadual.
Patrick Clancy já afirmou em entrevistas que perdoa a ex-esposa, por acreditar que ela estava doente e não agiu por maldade. O julgamento marca a primeira vez que os dois se reencontram desde as mortes das crianças.
Depoimento do pai e ligação ao 911
Em depoimento nesta quarta-feira, Patrick Clancy contou que a última imagem que guarda do filho Dawson é a do menino sentado no sofá, comendo nuggets de frango e vagem.
Segundo a Promotoria, Lindsay pediu que o marido saísse rapidamente para buscar comida e comprar um medicamento para a filha Cora em uma farmácia. Os promotores afirmam que esse pedido foi uma forma de tirá-lo de casa para cometer o crime.
Os jurados assistiram a imagens de câmeras de segurança da farmácia que mostram Patrick falando ao telefone com a esposa para tirar uma dúvida sobre o remédio.
"Ela estava bem quieta. Parecia ocupada", disse Patrick. "Lembro de desligar pensando que ela provavelmente estava dando banho nas crianças ou fazendo algo parecido."
Ao voltar para casa, ele estranhou o silêncio. Chamou pela família, mas ninguém respondeu.
Patrick procurou as crianças nos quartos e no banheiro, imaginando que estivessem na banheira. Depois encontrou sangue no quarto do casal e percebeu que uma janela estava aberta.
Mesmo ferida, Lindsay ainda estava consciente. Segundo Patrick, ela disse que havia tentado tirar a própria vida e informou que as crianças estavam no porão, sem dizer que estavam mortas.
Ele não percebeu que ainda permanecia na linha com o serviço de emergência enquanto corria para o porão, onde encontrou os três filhos estrangulados com faixas elásticas de exercício físico.
Os pais de Lindsay, que acompanhavam o julgamento na primeira fila do tribunal, também choraram enquanto a gravação era reproduzida. Patrick já havia deixado a sala após concluir seu depoimento.
Os jurados também viram as roupas que cada criança usava no dia das mortes. A Promotoria retirou as peças de sacos plásticos usados para armazenar provas.
Julgamento gira em torno da saúde mental
Na segunda-feira, Patrick já havia relatado aos jurados que a saúde mental da esposa se deteriorou nos meses que antecederam o crime. Segundo ele, Lindsay contou que tinha pensamentos intrusivos sobre machucar os filhos e também sobre suicídio.
Ela procurou especialistas em transtornos de humor relacionados ao pós-parto, recebeu diversos medicamentos psiquiátricos e chegou a ser internada em um hospital psiquiátrico. As crianças foram mortas 19 dias após ela receber alta.
Patrick afirmou que nenhum médico ou profissional de saúde jamais o orientou a não deixar Lindsay sozinha com os filhos.
"Eu nem sabia o que era psicose até que tudo isso aconteceu", afirmou.
Neste ano, Lindsay e o ex-marido moveram ações judiciais acusando os profissionais de saúde que a atenderam de não diagnosticar, tratar e acompanhar adequadamente sua condição.
Durante o interrogatório da defesa, o advogado Kevin Reddington tentou demonstrar que Lindsay seguia corretamente o tratamento e registrava cuidadosamente a piora do estado mental.
Ele apresentou anotações diárias feitas por ela sobre os medicamentos que tomava e seu humor. Em vários registros, Lindsay escreveu a expressão "pensamentos horríveis".
Ela também mantinha um livro e um folheto sobre ansiedade pós-parto, além de uma tabela para acompanhar a evolução do estado emocional.
O advogado também destacou que muitas das consultas realizadas por Lindsay a partir do segundo semestre de 2022 foram feitas com enfermeiros especializados e por videoconferência, com duração de apenas 20 minutos.
Os dois ainda revisaram a sequência de medicamentos prescritos à paciente, incluindo o antipsicótico Seroquel, cuja dose foi aumentada pelos médicos em dezembro de 2022.
"A ideia era que isso ajudasse no sono, mas ela não melhorou. Ela piorou", afirmou Patrick.

Cinco meses depois de a patente da semaglutida cair no Brasil, o mercado de medicamentos para emagrecimento ganha mais cinco concorrentes. Nesta quarta-feira (29), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou as novas marcas, ampliando a oferta de GLP-1 no país. Mas ainda há uma indefinição: quanto as novas opções vão custar e como a ampliação da oferta pode abrir caminho para a entrada do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).
As autorizações contemplam os produtos:
Zempneo, da Brainfarma;
Semavy, da Cosmed;
Orsema, da Ranbaxy;
Seemasun, da Sun Farmacêutica;
Owozy, da Ávita Care.
A aprovação não significa que os medicamentos já estarão nas prateleiras. Antes disso, falta uma etapa decisiva para o bolso do consumidor: a definição do preço máximo de venda pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão vinculado à Anvisa. Esse valor funciona como um teto: as empresas podem cobrar menos, mas não acima dele.
O g1 apurou que o Ministério da Saúde pediu celeridade nessa análise. Normalmente, o processo pode levar até dois meses, mas, segundo fontes ouvidas pela reportagem, a definição deve sair em algumas semanas. Se seguir o mesmo caminho da semaglutida da EMS, isso pode acontecer ainda nas primeiras semanas de agosto.
O mercado brasileiro vem mostrando que há demanda para esse tipo de medicamento. Em 2025, os GLPs movimentaram R$ 11,45 bilhões no país, segundo dados da consultoria IQVIA. Só entre janeiro e abril de 2026, as vendas já somaram R$ 5,54 bilhões, quase metade de todo o volume registrado no ano passado.
A entrada de novos concorrentes deve ampliar a competição e aumentar a pressão por preços menores. Esse movimento também pode influenciar a discussão sobre a incorporação da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS).
No ano passado, o sistema chegou a debater a inclusão da substância na rede pública, mas a proposta acabou travada pelo preço. Agora, com mais fabricantes e medicamentos mais acessíveis, especialistas esperam que o cenário seja diferente na nova rodada de discussões, prevista para setembro.
"A chegada de novas opções no mercado amplia a oferta, reduz preço e o mais importante é que isso facilita uma inclusão pelo SUS. Não podemos ter apenas uma classe social com acesso a tratamento de verdade", Clayton Macedo, que é médico endocrinologista e coordenador na Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
O que esperar dos novos preços?
A chegada da semaglutida da EMS mudou o cenário para quem faz tratamento com a substância. Antes da queda da patente, uma caneta podia chegar a R$ 1 mil para um mês de tratamento. Hoje, esse valor está em pouco mais de R$ 300.
O movimento também levou a Novo Nordisk a rever os preços praticados e ampliar os descontos oferecidos em seu programa de fidelidade.
Com mais cinco marcas chegando ao mercado, especialistas apontam que a concorrência deve seguir a lógica da oferta e da demanda e tornar os preços ainda mais competitivos.
Mas de quanto estamos falando? No que depender da CMED, segundo fontes ouvidas pelo g1, a tendência é que os preços máximos sigam a mesma lógica aplicada ao Ozivy, primeira versão nacional da semaglutida produzida pela EMS: um valor proporcional ao de Ozempic e Wegovy.
O ponto importante é que a CMED define apenas um teto. Cada farmacêutica pode vender o medicamento por um valor inferior, o que significa que o preço final poderá variar entre as marcas.
O g1 procurou as empresas que receberam autorização para comercializar as novas versões da semaglutida. As que responderam afirmaram que ainda não vão divulgar os preços.
A Ávita Care, responsável pela marca Owozy, informou apenas que o medicamento "será competitivo com relação ao medicamento original e aos novos entrantes no mercado", sem informar uma faixa de valores.
Para especialistas do setor farmacêutico, a definição dos preços será estratégica para posicionar cada empresa em um mercado que acaba de ganhar novos concorrentes. A expectativa, de forma geral, é de mais marcas com preços próximos aos da marca nacional.
E como a chegada de novas marcas pode mudar o cenário no SUS?
Desde o ano passado, o Ministério da Saúde vinha pedindo celeridade à Anvisa na análise desses registros, numa tentativa de acelerar a abertura do mercado e ampliar as opções disponíveis. A lógica por trás desse movimento é facilitar uma futura incorporação da substância na rede pública.
Desde que assumiu o ministério, Alexandre Padilha vem dando sinais nessa direção. Em julho de 2025, anunciou uma parceria entre um laboratório público e uma farmacêutica para viabilizar a produção nacional de canetas emagrecedoras.
O anúncio foi feito poucos dias antes de a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar a inclusão de novos medicamentos na rede pública, rejeitar a incorporação da semaglutida.
Na época, a comissão apontou que o principal entrave era o preço. O custo estimado para atender à demanda do SUS chegava a R$ 4,1 bilhões em cinco anos.
Agora, a Conitec deve fazer uma nova avaliação em setembro, segundo o Ministério da Saúde.
Desta vez, a própria Novo Nordisk apresentou uma nova proposta, com desconto de 59% sobre o preço anterior. Segundo a empresa, os valores são:
0,25 mg a 1 mg: R$ 396,88 por dose;
1,7 mg: R$ 594,49 por dose;
2,4 mg: R$ 764,64 por dose.
O pedido em análise é para incorporar a substância, e não uma marca específica. Na prática, isso significa que, se houver aprovação, o Ministério da Saúde poderá comprar a semaglutida de qualquer fabricante habilitado.
Setembro é justamente o mês em que boa parte das novas marcas deve estar no mercado, segundo a previsão das empresas.
Em paralelo, o Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto com semaglutida no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. A expectativa é acompanhar cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças, todos com indicação para cirurgia bariátrica.
Segundo a pasta, os pacientes serão acompanhados até o próximo ano para subsidiar a construção de um protocolo para uso da medicação na rede pública.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que a avaliação inicial de inclusão da semaglutida está prevista para setembro. O parecer final deve ser emitido em até 180 dias, prazo que pode ser prorrogado por mais 90 dias.
Médicos dizem que acesso no SUS é essencial
Enquanto o preço cai nas farmácias, médicos ainda questionam o quanto a abertura do mercado pode, de fato, ampliar o acesso ao tratamento.
Hoje, pacientes com obesidade atendidos pelo SUS não têm acesso a medicamentos específicos para tratar a doença. A principal alternativa é a cirurgia bariátrica.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, mais de 6 milhões de pessoas aguardam pelo procedimento no país.
A rede pública, atualmente, tem 120 centros habilitados para realizar a cirurgia. A maior parte está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Na Região Norte, existem apenas cinco serviços habilitados.
Como não há uma fila nacional única, o tempo de espera varia conforme o município e pode ultrapassar cinco anos.
Enquanto isso, cerca de um quarto da população brasileira vive com obesidade, condição mais frequente entre pessoas de menor renda. São justamente esses pacientes que mais dependem do SUS e também os que apresentam maior risco para doenças que pressionam o sistema de saúde.
Em setembro, esse cenário pode mudar com a avaliação da Conitec, mas tudo ainda depende da avaliação orçamentária da comissão -- levando em conta que esse foi o principal entrave da negativa anterior.
"Não podemos olhar apenas para o custo. Diabetes, doenças cardiovasculares e AVC podem roubar qualidade de vida e anos de convivência com a família. Mas, se quisermos olhar apenas para o custo, basta comparar quanto o sistema gasta tratando todas as doenças relacionadas à obesidade", afirma Clayton.
No pedido de incorporação apresentado à Conitec no ano passado, o relatório mostra alguns desses custos:
um paciente que sofre AVC custa mais de R$ 57 mil ao sistema;
um paciente em diálise custa quase R$ 73 mil apenas no primeiro ano;
um infarto gera um custo médio de R$ 4.900;
uma internação por insuficiência cardíaca custa quase R$ 17,8 mil.
Para a pesquisadora Maria Laura Precinotto, doutoranda em Saúde Pública pela USP, os medicamentos são uma demanda importante no tratamento da obesidade e não se pode permitir que o acesso fique restrito a uma parcela da população.
"O acesso a esses medicamentos não pode ser uma questão de status social", explica.
Apesar disso, ela defende que uma eventual incorporação seja acompanhada da estruturação de uma política pública, com equipes multidisciplinares, centros especializados e um plano nacional para o tratamento da obesidade. E reforça que é preciso cautela com medidas eleitoreiras.
"É preciso que o Ministério da Saúde debata o acesso ao tratamento e ao acompanhamento, mas sem reducionismo. Não dá para achar que falar de obesidade no SUS é apenas inserir os GLP-1 e que isso resolve o problema no país", afirma.