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A 100 dias do primeiro turno, as pesquisas indicam uma disputa presidencial equilibrada e ainda aberta, com Lula (PT) atualmente em vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL), em meio ao desgaste enfrentado pelo senador após as revelações ligadas ao Caso Master e o financiamento ao filme "Dark Horse".

Os levantamentos, porém, não captaram a mais recente turbulência na campanha de Flávio: o vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, no qual ela afirma ter sido desrespeitada pelo enteado, expondo um racha no clã. Também não foi medido o impacto da investigação que passou a atingir o senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado de Lula que deixou a liderança do governo no Senado após entrar na mira do caso.
 
Em paralelo, a disputa já chegou aos tribunais antes mesmo do início oficial da campanha: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra uma disparada de ações envolvendo propaganda antecipada e o uso de inteligência artificial nas redes sociais.

O que dizem as pesquisas

Os levantamentos mais recentes da Quaest e do Datafolha mostram Lula (PT) na liderança das intenções de voto para o primeiro turno. Na Quaest, o presidente aparece com 39%, ante 29% de Flávio Bolsonaro (PL). No Datafolha, a vantagem é semelhante: 41% a 31%.

Os números indicam uma ampliação da distância entre os dois em relação às pesquisas anteriores, desde a revelação das conversas entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Os números divulgados após a ligação de Flávio com Vorcaro, entretanto, revelam um fenômeno que o diretor da Quaest, Felipe Nunes, têm chamado de "paradoxo da direita". Embora Flávio Bolsonaro apresente sinais de desgaste, nenhum outro nome do campo de centro-direita conseguiu se consolidar como alternativa competitiva.

Governadores e lideranças que tentam ocupar esse espaço, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Aécio Neves (PSDB), aparecem fragmentados nas pesquisas e seguem distantes dos dois principais polos da disputa. Somados, reúnem cerca de 12% das intenções de voto.

“Flávio está enfraquecido para unificar, mas os demais são fracos demais para ocupar esse espaço”, diz Felipe Nunes.
 
Para especialistas, o cenário cria desafios tanto para a oposição quanto para Lula em sua busca pela reeleição.

"Os resultados confirmam que a disputa pela Presidência está aberta e tende a ser altamente sensível à agenda factual, deixando as variações sujeitas a mudanças até o dia da eleição. Esse é o caso do episódio envolvendo Jaques Wagner", afirma Aldo Fornazieri, cientista político da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

Impacto do caso Master

A 100 dias do primeiro turno, o Caso Master segue impactando o debate político. O material apreendido pela Polícia Federal durante as investigações, incluindo celulares de Daniel Vorcaro, ainda está sob análise, enquanto duas tentativas de delação do ex-banqueiro, preso por suspeita de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras, foram rejeitadas.

As sucessivas fases da Operação Compliance Zero indicam que as apurações podem alcançar agentes públicos de diferentes esferas do poder. Nos bastidores de Brasília, o caso é tratado como uma investigação de alcance suprapartidário, com potencial para envolver personagens de diferentes campos políticos, da esquerda à direita.

Na oposição, o caso teve reflexos sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Diálogos revelados em maio mostram o senador pedindo recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O dono do Banco Master chegou a transferir R$ 61 milhões.
 
A perda de apoio de Flávio Bolsonaro foi registrada tanto nos cenários de primeiro quanto de segundo turno. Na disputa inicial, o senador passou de 33% para 29% das intenções de voto na Quaest. Em um eventual confronto direto com Lula, recuou de 41% para 38%.

Segundo o levantamento, 65% dos entrevistados consideram a atitude de Flávio um erro, enquanto 58% enxergam indícios de irregularidades no episódio. Ainda assim, o desgaste do senador não se traduziu em fortalecimento de outros pré-candidatos do campo conservador ou de centro-direita.

O movimento foi mais acentuado entre grupos considerados estratégicos. Entre os eleitores independentes, seu desempenho caiu de 31% para 24%. Já entre os eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo, o apoio passou de 88% para 82%.

No governo, a inclusão do senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, entre os alvos da Operação Compliance Zero ampliou a pressão sobre o Palácio do Planalto. O aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de uma operação da Polícia Federal, que investiga a compra de um apartamento de luxo em Salvador e repasses que somam R$ 3,5 milhões em nome de familiares do parlamentar.

Desde a operação, integrantes da base governista avaliavam que o caso poderia dificultar a articulação política do Executivo no Congresso e gerar desgastes para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio ao início da corrida eleitoral, e Wagner deixou o cargo de líder do governo no Senado na quarta-feira (24), após uma reunião com Lula.

IA e redes sociais: nova fronteira da disputa

O principal tema por trás da explosão de ações na Justiça Eleitoral é o uso irregular de inteligência artificial. Pelas regras aprovadas pelo TSE, conteúdos produzidos ou alterados por IA precisam ser identificados de forma clara para os eleitores. A Corte também proibiu o uso de deepfakes que simulem falas ou comportamentos de candidatos com potencial de enganar o público.
 
Na prática, porém, a fiscalização tem se mostrado complexa. Ministros do TSE admitem que o monitoramento desse material será um dos maiores desafios da eleição. A facilidade de acesso às ferramentas de inteligência artificial, o baixo custo de produção e a velocidade de disseminação dos conteúdos nas redes sociais ampliaram a preocupação com campanhas de desinfomação.

Entre os casos que chegaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão:

Um vídeo do PL que utiliza imagens geradas por inteligência artificial para retratar Lula e seus familiares em uma paródia da série A Grande Família;

uma deepfake de Flávio Bolsonaro em uma suposta reunião com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master;
personagens digitais criados para disseminar conteúdos descontextualizados sobre adversários políticos;
um vídeo produzido com IA que mostra Flávio Bolsonaro atirando contra embarcações identificadas com as siglas CV e PCC. O PT sustenta que o conteúdo configura propaganda eleitoral antecipada.
 
Nos bastidores do TSE, ministros reconhecem que o monitoramento desse tipo de material será um dos maiores desafios da eleição de 2026. A combinação entre baixo custo, facilidade de produção e alcance das ferramentas de inteligência artificial tornou a desinformação digital uma preocupação central para a Justiça Eleitoral.

G1
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Comentários dos Leitores

Rafael Bezerra comentou
"E o que deu a explosão de Alcântara, onde morreram todos os 21 técnicos e cientistas do programa espacial Brasileiro? Ficou como simples acidente. Uma pena, na semana seguinte, estaríamos para lançar nossos satélites e competir com EUA, Rússia, China e Japão, em grande vantagem de economia de combustível."
Rafael Bezerra comentou
"Tamo mal, no quesito segurança."
Rafael Bezerra comentou
"Vixi! lá vem esses loucos negacionistas, de novo."
Socorro Benevides comentou
"VENDA ESSA PORCARIA"
Socorro Benevides comentou
"Quem está golpeando o país descaradamente é justamente quem ta julgando. Esse país é um cabaré"