
Os Estados Unidos lançaram uma série de ataques "poderosos" contra o Irã após três embarcações comerciais serem atingidas no Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou nesta terça-feira (7) que deu início à ofensiva "para impor um alto custo a quem ataca navios comerciais tripulados por pessoas inocentes em uma rota internacional".
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que a ação americana viola o memorando firmado entre os dois países no mês passado e alertou que Teerã adotará "medidas decisivas".
Os três petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda (6) e terça-feira, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Não houve registro de vítimas.
Em resposta, um integrante do governo americano afirmou que o Irã enfrentará consequências e classificou os incidentes como "totalmente inaceitáveis".
Em comunicado publicado na rede social X na noite desta terça-feira, o Centcom afirmou que os bombardeios foram realizados "em resposta aos ataques iranianos".
"A agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo", afirmou o comando.
Paralelamente, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos revogou nesta terça uma isenção de sanções que suspendia temporariamente restrições à exportação de petróleo pelo Irã.
A autorização, que permitia ao país vender petróleo e derivados, fazia parte do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã no mês passado.
Um comunicado publicado no site do Departamento do Tesouro nesta terça informou que seria concedido um período de transição até 17 de julho para as transações que haviam sido permitidas pela isenção. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a decisão viola o memorando e demonstra a "má-fé, inconsistência e falta de confiabilidade" do governo dos Estados Unidos.
A pasta acrescentou que Teerã "tomará todas as medidas que considerar necessárias para proteger seus interesses nacionais e sua segurança nacional".
Antes do anúncio da nova ofensiva pelo Centcom, um integrante do governo americano, sob condição de anonimato, afirmou que os negociadores do país continuariam trabalhando "de boa-fé" para alcançar um acordo definitivo com o Irã.
Catar e Arábia Saudita também condenaram os incidentes. Os dois países disseram que petroleiros de suas bandeiras foram atingidos enquanto navegavam pelo Estreito de Ormuz ou em suas proximidades e responsabilizaram o Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, afirmou que o país considera o Irã "totalmente responsável" pelo aparente ataque direcionado ao navio Al-Rekayyat, que transitava próximo ao estreito.
Em publicação na rede social X, Al Ansari pediu que o Irã "cesse imediatamente todas as práticas que comprometem a segurança regional" e "deixe de colocar em risco o abastecimento global de energia e os recursos dos países da região em busca de interesses restritos".
Em outra publicação na rede social, o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita afirmou que o petroleiro saudita Wadyan também foi atingido enquanto cruzava o Estreito de Ormuz. Segundo a pasta, os ataques representam "uma ameaça à segurança da navegação internacional e ao abastecimento mundial de energia".