
Uma coisa é ouvir-se a voz de um general por meio da transcrição fria de suas palavras em depoimento colhido pela Polícia Federal. Outra bem diferente é ouvi-la ao vivo diante de cinco ministros da mais alta corte de justiça do país e depois de ele ter jurado dizer a verdade, somente a verdade, nada mais do que a verdade.
Tal privilégio será concedido apenas aos jornalistas autorizados a acompanhar logo mais à tarde a audiência por videoconferência do interrogatório do general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército nos últimos meses do governo de Jair Bolsonaro. É proibida a gravação de áudio e vídeo.
Assim terá início a fase de oitivas das testemunhas do processo sobre a trama golpista que culminou no dia 8 de janeiro de 2023 com a invasão por milhares de bolsonaristas da Praça dos Três Poderes, e a depredação dos prédios do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto.
Freire Gomes foi o primeiro comandante das Forças Armadas a confirmar que Bolsonaro o convocou para uma reunião no Palácio da Alvorada, em dezembro de 2022. Disse que o então presidente apresentou aos chefes militares a minuta de um decreto que previa a intervenção no Tribunal Superior Eleitoral após as eleições.
Na ocasião, segundo o general, ele “deixou evidenciado a Bolsonaro e ao ministro da Defesa que o Exército não aceitaria qualquer ato de ruptura institucional”. A minuta do decreto tinha conteúdo idêntico à encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, também réu pela trama golpista.
O general contou à Polícia Federal que o chefe da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, concordou com a proposta de ruptura democrática apresentada por Bolsonaro. Mas que ele e Baptista Júnior, chefe da Aeronáutica, afirmaram “de forma contundente suas posições contrárias ao conteúdo exposto.”
Meu Deus, de onde teve golpe? A imprensa comprada ainda insiste nisso. Vão atrás dos ladrões do INSS, que vcs fazem um bom serviço para o país.