
Em caso único no mundo, país renovará 2.600 cargos do Judiciário por meio de voto direto da população, entre os quais os da Suprema Corte. Medida foi aprovada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum, acusada de autoritarismo. Críticos apontam risco de baixa participação e infiltração do crime organizado.
Os mexicanos irão às urnas neste domingo (1º) em um pleito inédito e polêmico: pela primeira vez no mundo, todos os juízes de um país — incluídos os da Suprema Corte — serão eleitos por voto popular.
O México fará suas primeiras eleições judiciais, previstas em uma reforma constitucional do governo aprovada no ano passado que gerou uma onda de protestos de boa parte de juristas. Os críticos apontam o risco de candidatos despreparados, chances de os cartéis se infiltrarem de forma direta no poder público e ameaças à democracia.
Com a reforma, magistrados não precisam mais passar por concursos públicos ou, no caso da Suprema Corte, serem indicados pelo chefe de governo. Bastará convencer eleitores ainda confusos com o pleito e que devem faltar em massa à votação -- o principal instituto de pesquisas do México espera que o comparecimento não passe dos 15%.
A situação não tem precedentes no mundo. A Bolívia fez eleições populares para juízes em 2011, 2017 e 2024, mas a medida está limitada à Suprema Corte. A iniciativa do México inclui todos os magistrados do país.