
Gravação do depoimento de Baptista Júnior se tornou pública nesta terça-feira (3) por decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Francisco Wanderley arremessou um explosivo em direção à estátua na quarta-feira (13), na Praça dos Três Poderes. No dia 8 de janeiro de 2023, ela tinha sido vandalizada na invasão de grupos de extrema direita.
O brigadeiro Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, relatou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 21 de maio o alerta que o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, fez ao ex-presidente Jair Bolsonaro no sentido de que teria de prendê-lo caso uma ideia golpista fosse levada adiante.
O vídeo do depoimento de Baptista Júnior se tornou público nesta terça-feira (22) por decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator, na Primeira Turma do STF, do processo sobre tentativa de golpe.
O alerta de Freire Gomes a Bolsonaro foi feito, segundo o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), em uma reunião de teor golpista no Palácio da Alvorada, após o segundo turno das eleições de 2022.
Nesse encontro, o ex-presidente e os comandantes das Forças Armadas teriam debatido sobre "hipóteses de atentar contra o regime democrático, por meio de algum instituto previsto na Constituição".
Foi durante essa reunião no Palácio da Alvorada que Baptista Júnior presenciou o general Freire Gomes, então comandante do Exército, ameaçar Bolsonaro de prisão caso a ideia golpista fosse levada adiante.
Na gravação divulgada pelo STF, o ministro Luiz Fux perguntou a Baptista Júnior sobre como foi o alerta feito por Freire Gomes. O ex-comandante da FAB respondeu:
"Durante as discussões, como eu disse, a partir do dia 11, dia 14 [de novembro] nós começamos a imaginar que os objetivos políticos de uma medida de exceção não eram para garantir a paz social até o dia 1º de janeiro. E foi dentro desse contexto que o general Freire Gomes colocou [a questão da prisão]", disse Baptista Júnior.