
A acareação marcada para esta terça-feira (24), no Supremo Tribunal Federal (STF), entre o general Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, assinala o reencontro de velhos conhecidos e pode desequilibrar o confronto de versões sobre a trama golpista.
A relação entre o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa e o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) vai além do governo e do Exército.
As famílias de ambos têm relação de amizade de longa data. Braga Netto conhece Cid desde criança, graças ao convívio com o pai do tenente-coronel, o também general Mauro Lourena Cid. As esposas dos generais também são amigas próximas.
A essa amizade familiar atribui-se o fato de Mauro Cid ter resistido em citar, em seus depoimentos, a participação de Braga Netto. O ex-ministro acabou preso em dezembro do ano passado, após o tenente-coronel ter apontado o general como um elo entre Bolsonaro e movimentos que queriam um golpe de Estado.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro também disse que Braga Netto tentou saber detalhes da colaboração por meio de contato com seu pai.
Cid foi orientado por sua defesa a repetir integralmente o que relatou à Polícia Federal e ao ministro Alexandre de Moraes, e a não ceder a uma eventual pressão de Braga Netto. Diferentemente dos interrogatórios, a acareação não será transmitida ao vivo.