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A novela sobre a demolição do 8º pavimento do Hotel BRA, na Via Costeira, ganhou um novo capítulo. A Justiça Federal do Rio Grande do Norte determinou a aplicação de multa fixa de R$ 5 mil à empresa NATHWF Empreendimentos S/A por não cumprir integralmente a ordem de retirada do último andar. A decisão mais recente, proferida na última segunda-feira (1º), pelo juiz Ivan Lira de Carvalho, da 5ª Vara Federal, também estabelece que o Município de Natal seja intimado para dizer, no prazo de 15 dias, se deseja assumir a demolição por conta própria, com direito a ressarcimento dos custos mediante comprovação nos autos.

Segundo o magistrado, é “fato público e notório, visível a olho nu”, que a ordem judicial para retirada do 8º andar da estrutura não foi completamente cumprida. O juiz destacou que, diante das evidências apresentadas nos autos e no relatório técnico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), é “completamente despicienda a produção de prova técnica”, ou seja, desnecessária a realização de nova perícia para comprovar o descumprimento. Com isso, foi imposta multa à NATHWF pelo não cumprimento da obrigação de fazer estabelecida desde 2017.

A medida judicial é mais um capítulo da longa disputa jurídica envolvendo a construção do Hotel BRA, iniciada ainda em 2005, quando o empreendimento foi embargado por irregularidades apontadas em duas ações civis públicas movidas pelo Ministério Público Federal (MPF). À época, foi identificado que a construtora executou uma obra em desacordo com o projeto originalmente licenciado pela Prefeitura do Natal, ampliando a área construída de 14.815 m² para 28.984 m², sem o devido licenciamento ambiental e alvará de construção. Além disso, o prédio ultrapassava o gabarito máximo de 15 metros permitido pelo Plano Diretor então vigente.

Em decisão de 2017, a Justiça Federal condenou a NATHWF a demolir o pavimento excedente e dar entrada em novo processo de licenciamento, observando as normas urbanísticas e ambientais da época da concessão da Licença de Instalação nº 007/2005. Desde então, a execução da sentença tem se arrastado.

Em fevereiro deste ano, o juiz Ivan Lira já havia determinado que o Município de Natal apresentasse documentos e procedesse a uma fiscalização técnica para verificar se a demolição havia sido cumprida de acordo com os termos da sentença. Em resposta, a Semurb encaminhou laudo apontando que a demolição foi realizada “de forma parcial”. Em seguida, o Ministério Público Federal atestou que somente a laje do 8º pavimento foi retirada, mas que ainda existe a permanência das estruturas de sustentação, como pilares, vigas e áreas de escada e elevador.

Na tarde desta quarta-feira (2), a reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no local. Na obra, não havia qualquer trabalhador visível dando continuidade à demolição. O 8º andar ainda permanecia, conforme o relatório da Semurb, em demolição parcial, somente sem a laje.
Em defesa, a empresa NATHWF argumentou que houve uma “possível divergência interpretativa” quanto ao que deveria ser demolido e que não teve intenção de descumprir a determinação judicial. Afirmou ainda que, em atenção ao relatório da fiscalização, deu início à retirada das estruturas remanescentes. Caso o Município deseje dar continuidade à demolição, a homologação judicial do ressarcimento acontecerá através de título executivo.

Paralelamente ao cumprimento da sentença, a empresa também tenta viabilizar um novo projeto para o local. A Semurb informou que tramita um pedido de licenciamento para reestruturação do prédio, apresentado pela NATHWF. Em decisão anterior, o juiz Ivan Lira autorizou que a Prefeitura analisasse o pedido sem a cobrança de uma nova taxa de R$ 352 mil, desde que já comprovado o pagamento no licenciamento original.

De acordo com Thiago Mesquita, secretário da Semurb, o projeto de licenciamento ainda segue em tramitação. “Eles ingressaram [com o projeto] 45 dias após a primeira decisão judicial. Nós notificamos [a empresa] e o processo está aguardando eles apresentarem informações complementares depois da nossa análise”, explica.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com o jurídico da NATHWF Empreendimentos S/A, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Já a Prefeitura do Natal, questionada se deve seguir com a demolição, respondeu através da assessoria de comunicação que “o assunto ainda será analisado no âmbito da Prefeitura” e que “não vai comentar a decisão no momento”.

Tribuna do Norte
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Comentários dos Leitores

Rafael Bezerra comentou
"E o que deu a explosão de Alcântara, onde morreram todos os 21 técnicos e cientistas do programa espacial Brasileiro? Ficou como simples acidente. Uma pena, na semana seguinte, estaríamos para lançar nossos satélites e competir com EUA, Rússia, China e Japão, em grande vantagem de economia de combustível."
Rafael Bezerra comentou
"Tamo mal, no quesito segurança."
Rafael Bezerra comentou
"Vixi! lá vem esses loucos negacionistas, de novo."
Socorro Benevides comentou
"VENDA ESSA PORCARIA"
Socorro Benevides comentou
"Quem está golpeando o país descaradamente é justamente quem ta julgando. Esse país é um cabaré"