
As novas tarifas podem ter consequências nos dois países, impactando inflação, juros, empresas e empregos nos Estados Unidos e no Brasil.
Os motivos alegados por Donald Trump para aplicar as tarifas são claramente políticos, na defesa de Bolsonaro e das plataformas de redes sociais. Porque, em relação à economia, a alegação dele de que o comércio com o Brasil seria injusto para os Estados Unidos não tem nenhum fundamento. Simplesmente não é verdade.
A carta de Trump critica a relação comercial com o Brasil: “muito pouco recíproca”, nas palavras do presidente americano. O fato é que o saldo das trocas brasileiras com os Estados Unidos aponta para um desequilíbrio, sim, só que com larga vantagem para os Estados Unidos.
Nos seis primeiros meses de 2025, vendemos US$ 20 bilhões para lá e compramos quase US$ 21,7 bilhões em produtos americanos. Fica um saldo negativo de US$ 1,6 bilhão. E isso não é de hoje. De 2009 para cá, a balança comercial sempre pende a favor dos Estados Unidos, com déficit para o Brasil.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a decisão do presidente Trump não tem relação com a economia:
“É uma tarifa que não se justifica sob nenhum ponto de vista, menos ainda do seu ponto de vista econômico. Os Estados Unidos tiveram um superávit junto ao Brasil - fora a América do Sul - junto ao Brasil, nos últimos 15 anos de mais de US$ 400 bilhões. É superávit. Então, quem poderia estar pensando em proteção era o Brasil. Esse tipo de retaliação, com finalidade política e ideológica, é contraproducente. Ele desrespeita os 200 anos de tradição diplomática entre os dois países, que se dão muito bem”.