
Virgílio Gomes da Silva, também conhecido como Jonas, foi em setembro de 1969, aos 36 anos, e é considerado o primeiro desaparecido da ditadura.
Familiares de vítimas da ditadura militar recebem, nesta quarta-feira (8), certidões de óbito retificadas, com a causa das mortes oficialmente reconhecida como "morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro". Uma das famílias é a do potiguar Virgílio Gomes da Silva, morto no dia 29 de setembro de 1969, aos 36 anos.
A solenidade de entrega de Certidões de Óbito Retificadas de vítimas da ditadura militar brasileira é realizada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Outras três famílias de potiguares estão aptas a receber certidões retificadas, mas não devem participar do evento nesta quarta. Os outros potiguares reconhecidos como vítimas da ditadura são:
Emmanuel Bezerra dos Santos
Hiram de Lima Pereira
Zoé Lucas de Brito Filho
O bancário Gregório Gomes da Silva, de 57 anos, é filho de Virgílio e tinha apenas dois anos quando o pai desapareceu. Embora a família saiba em que cemitério ele tenha sido enterrado pelo regime, o corpo nunca foi identificado.
"É um misto de sentimentos, não sei explicar. É um misto de alívio, de conquista, mas é um atestado de óbito, né? ", diz o filho.
"É um documento simbólico, de reconhecimento, de encerramento de uma etapa dessa luta longa, difícil. Primeiro foi o reconhecimento formal do Estado, mas ai tinha um atestado de óbito esdrúxulo que nem dava condição de registro, para regularizar a situação da minha mãe, de viúva", acrescentou.
A viúva de Virgílio tem 94 anos, vive acamada, e não poderá participar da solenidade.