
A proposta do Governo Federal de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, caso seja aprovada pelo Senado e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve provocar um impacto direto na economia potiguar, com a injeção de mais de R$ 500 milhões por ano na renda das famílias do Rio Grande do Norte, estimulando o consumo e fortalecendo setores como comércio, serviços e alimentação.
O valor decorre de cálculos com base em dados do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB), e em estimativas do próprio órgão. O levantamento indica que 117.367 trabalhadores formais no Rio Grande do Norte estão na faixa de renda que passaria a ser isenta. Considerando a projeção do governo de ganho médio anual de R$ 4.356,89 por contribuinte, o montante que deixaria de ser recolhido em imposto e permaneceria circulando na economia estadual chegaria a R$ 509,7 milhões por ano.
Para o superintendente do BNB no RN, Jeová Lins, a medida tributária também tende a refletir na demanda por crédito na instituição. “A injeção de mais de meio bilhão de reais por ano, somente no Rio Grande do Norte, certamente vai impulsionar os negócios no estado e, por conseguinte, também a procura por empréstimos e financiamentos do BNB”, afirma. “É uma conta simples: mais consumo, mais produção, mais necessidade de giro e mais vendas, gerando um círculo econômico virtuoso e trazendo desenvolvimento para a região”, aponta o superintendente.
A ampliação da faixa de isenção, segundo o Etene, tem caráter redistributivo: ao reduzir a carga tributária sobre as camadas de renda média e baixa, tende a gerar um ganho líquido no orçamento familiar, ampliando o poder de compra e estimulando a economia regional. Para o gerente de Ambiente do Etene, Allisson Martins, a mudança representa uma das ações tributárias mais relevantes dos últimos anos.
Ele explica que o principal efeito da medida será o aumento da renda disponível das famílias. “Esse ganho tende a ser canalizado para o consumo, especialmente em regiões como o Nordeste, onde há maior propensão marginal a consumir”, afirma.