
Ministério Público do Rio de Janeiro detalhou hierarquia do Comando Vermelho e mostrou como traficantes usavam aplicativos para emitir ordens e monitorar policiais. Ação policial com 121 mortes foi a mais letal da história do RJ.
A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que resultou na megaoperação da última terça-feira (28), nos complexos da Penha e do Alemão, revelou como mensagens de WhatsApp e vídeos de drones foram usados para comprovar a estrutura e o funcionamento do Comando Vermelho (CV) na capital fluminense. A ação com 121 mortos - entre eles, 4 policiais - foi a mais letal da história do RJ.
O documento do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), elaborado a partir de uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), acusa 69 pessoas de associação para o tráfico de drogas e descreve um organograma da facção com funções definidas para cada integrante.
Segundo a investigação, Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, é apontado como principal liderança do CV no Complexo da Penha e em comunidades como Gardênia Azul, Cesar Maia, Juramento, Quitungo e Alemão — algumas delas recentemente tomadas de grupos paramilitares. Ele conseguiu escapar da megaoperação da última terça e segue foragido.
Doca teria sob seu comando uma cadeia hierárquica rígida, com ordens diretas e punições severas a quem desobedecesse às determinações.