
Se o tarifaço não bastou, quem sabe uma ameaça de intervenção militar?
Cientista político e professor titular da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE), Carlos Pereira escreveu no jornal O Estado de S. Paulo que o bolsonarismo tornou-se um fardo e que a direita busca alforria. Talvez devesse, mas não o faz. Deve ter lá suas razões.
Para qual direita o bolsonarismo virou um fardo? Para a que se diz civilizada, mas votou em Bolsonaro no primeiro e no segundo turno da eleição de 2028, derrotando Fernando Haddad (PT)? Para a fração da suposta direita civilizada que em 2022 votou em Lula com o nariz tapado? Por pouco, Bolsonaro não se reelegeu.
Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, apresenta-se como um dos nomes da direita civilizada que sabe comportar-se elegantemente em uma mesa de banquete. Assim procedem também muitos dos que o defendem como o único aspirante a presidente capaz de derrotar Lula em 2026.
Se o bolsonarismo e o seu líder são de fato um fardo, o que impede Tarcísio de jogá-los fora e seguir em frente? Simples: ele não tem votos nem apoios suficientes para encarar tal aventura. Não teria sequer para se reeleger governador. Elegeu-se porque Bolsonaro lhe estendeu a mão. Continua dependente do bolsonarismo.
É a mesma situação enfrentada pelos demais presidenciáveis da direita – Romeu Zema (NOVO), governador de Minas Gerais, Ronaldo Caiado (União-Brasil), governador de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná. Sem falar dos outsiders que observam tudo à distância sem ainda pôr a cabeça à mostra.
A recente crise da segurança pública devolveu uma nova chance à oposição, acredita Pereira, o cientista político, e repetem os que apostam em uma eleição emocionante, apertada e repleta de surpresas. Poderá ser, sim. Ou não. Porque a crise da segurança finalmente acordou Lula para o que ele fingia ignorar.
Muito bem, vamos acabar de ums vez com essa quadrilha que assola o país