
Com lugar assegurado no top 30 do mundo ao fim desta temporada, João Fonseca, atual número 24, mudará de patamar e passará a integrar, em 2026, uma relação de jogadores especiais. De acordo com o regulamento da ATP, entidade que comanda o circuito mundial de tênis, os 30 primeiros do ranking no fim de cada ano têm algumas obrigações a cumprir nos 12 meses seguintes, mas são bem remunerados por isso, com uma série de bônus. O atleta nesta seleta lista é chamado de commitment player, que é jogador de compromisso, na tradução do inglês.
Dentre as exigências, um top 30 precisa disputar oito dos nove torneios da série Masters 1000, com exceção de Monte Carlo, em abril, e cinco campeonatos com selo ATP 500, sendo que um deles deverá ser após o US Open, quarto e último Grand Slam do calendário.
Em caso de não cumprimento da regra, os tenistas sofrem punições relevantes, como perda de pontos e multa em dinheiro. A ausência só é aceita em caso de forte justificativa médica ou pessoal. Em relação ao bônus, a entidade distribui anualmente cerca de 21 milhões de dólares (R$ 111 milhões) aos top 30, de acordo com os pontos conquistados nos Masters 1000. E eles podem entrar diretamente na chave de um ATP 500, independentemente do ranking no momento da inscrição.
Para se ter uma ideia, em 2025, o prodígio brasileiro de 19 anos disputou seis Masters 1000 (Indian Wells, Miami, Madri, Roma, Toronto, Cincinatti e Paris) e três ATPs 500 (Rio, Halle e Basileia). Ambas as participações ficaram abaixo do estipulado pela ATP para um top 30. Sendo assim, João e o seu corpo técnico traçarão um planejamento diferente para o próximo ano.
João já está oficialmente confirmado em dois eventos de 2026. Ele foi anunciado na última quarta-feira pela organização do ATP 250 de Adelaide, que acontecerá entre 6 e 11 de janeiro e servirá de preparação para o Aberto da Austrália, o primeiro Grand Slam do ano. E o outro é o ATP 500 do Rio, na cidade natal de Fonseca, entre 14 a 22 de fevereiro.
Na relação histórica de melhores rankings de homens brasileiros em simples, João só está atrás de Gustavo Kuerten - número 1 no fim de 2000 - e de Thomaz Bellucci - 21º da ATP, em julho de 2010. Com a 24ª posição, Fonseca igualou a marca de Thomaz Koch, em 1974, e superou o 25º lugar de Fernando Meligeni, em 1999.
Sob o ponto de vista de ranking, o número 1 do Brasil já superou suas metas iniciais. Ele havia projetado encerrar o ano entre os 40 melhores do mundo.
João não disputará mais torneios em 2025, mas ainda estará em ação em uma partida de exibição contra o atual líder do ranking mundial, o espanhol Carlos Alcaraz, no dia 8 de dezembro, em Miami (EUA).