
Ideia da ala da direita é eleger mais candidatos do grupo ao Senado e, assim, emplacar o avanço de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
Bolsonaristas no Congresso Nacional enxergam na decisão de Gilmar Mendes que restringe quem pode apresentar pedidos de impeachment contra magistrados uma tentativa de blindagem do STF (Supremo Tribunal Federal) perante as articulações do grupo para as eleições de 2026.
Os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) investem hoje em articulações estaduais que impulsionem a eleição de seus candidatos ao Senado.
A ideia é eleger um número significativo de oposicionistas para fortalecer a ala na Casa e, assim, buscar destravar pedidos de impeachment já existentes contra ministros do Supremo – seja por meio de pressões ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), caso seja reeleito ao cargo, seja por meio de um novo presidente do Senado mais simpático aos pedidos de impeachment.
Oposicionistas avaliam que, na prática, concentrando a apresentação de pedidos pela PGR, a decisão de Gilmar dificulta que denúncias sejam feitas. Ainda pela decisão, a análise de um pedido de impeachment continua a ser tocada pelo Senado, mas passa a exigir o apoio de dois terços dos senadores para avançar, e não mais maioria simples. Portanto, precisaria de mais senadores em apoio.
“Esta blindagem é clara porque acontece no momento em que todos falam sobre a possibilidade de uma mudança de cenário político em 2027, onde poderá se estabelecer uma maioria de senadores de um espectro ideológico que podem não aceitar a usurpação de um Poder, a improbidade ou o excesso que porventura possa ser cometido quando um juiz, um ministro, exerce sua função”, declarou a jornalistas o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), nesta quarta-feira (3).