
A União Europeia recolheu lotes de carne bovina brasileira após identificar um hormônio proibido no bloco, informou a porta-voz da Comissão Europeia de saúde.
Ela disse que uma carga com “pequenos volumes de carne congelada” foi certificada de forma incorreta para exportação ao bloco. A quantidade exata não foi informada.
A Missão Brasil na União Europeia, ligada ao Ministério das Relações Exteriores, publicou uma nota em seu perfil oficial dizendo que as próprias autoridades brasileiras informaram os europeus sobre a identificação do estradiol.
Esse hormônio faz com que todas as fêmeas entrem no cio no mesmo período. Ele é produzido naturalmente pelas vacas, mas também pode ser aplicado para sincronizar o cio dos animais.
"Como resultado desse trabalho coordenado, as remessas afetadas foram devidamente recolhidas pelas autoridades europeias. Deve-se enfatizar que o caso em questão é uma ocorrência rara", diz a nota da Missão Brasil na UE.
Exigências da UE x lei brasileira
Ao confirmar o recolhimento das remessas de carne, a porta-voz da Comissão Europeia disse que mantém discussões com autoridades brasileiras sobre "as medidas corretivas e um plano de ação eficaz", para que o Brasil mantenha um sistema de certificação que cumpra as regras da UE de segurança alimentar e saúde pública.
Em janeiro deste ano, a Associação Brasileira das Empresas de Auditoria e Certificação de Rastreabilidade (ABCAR) criou, em janeiro de 2025, o Protocolo para Exportação de Fêmeas Bovinas (PEFB), para atender às exigências da União Europeia.
O protocolo busca garantir a rastreabilidade das fêmeas tratadas com estradiol e assegurar que apenas animais que nunca receberam o hormônio sejam abatidos para exportação à UE.
Na pecuária brasileira, a aplicação de estradiol acontece em quantidades menores do que as produzidas pelo próprio animal, explicou Rondineli Pavezzi Barbero, professor de bovinocultura de corte na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Pela lei, esse hormônio pode ser usado apenas em vacas para reprodução.
Para se certificar que a norma está sendo cumprida, existe no Brasil o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), em que é feita uma avaliação de risco com base técnica e no histórico de detecções. Em 2023, por exemplo, 99,76% da carne analisada pelo programa estava em conformidade.