
Uma jornalista vítima de montagens feitas a partir de uma inteligência artificial no X (antigo Twittter) contou que, ao ver imagens manipuladas suas aparecendo nua e com trajes sensuais, quis deixar a internet.
"Quis sumir e apagar todas as minhas fotos e redes sociais ", relatou ao g1 Julie Yukari. Após conversar com sua família e sua advogada, ela fez um registro de ocorrência na 10ª DP (Botafogo) por registro não autorizado de intimidade sexual. Os crimes, segundo ela, continuam:
"Fiz o registro online, já que estou no interior do Rio, mas pretendo ir pessoalmente para adicionar mais perfis que seguem manipulando minhas fotos", pontuou Julie.
Na rede social, diversos perfis pediram à inteligência artificial Grok, presente no X, que ela aparecesse com microkini (um micro-biquíni), utilizando lingerie e até mesmo montagens mostrando uma versão da vítima totalmente sem roupa.
Julie diz que os perfis que pediram montagens pornográficas a partir de sua foto são todos anônimos ou fakes, que postam diversos comentários discriminatórios contra mulheres nas redes sociais:
"Eles querem que nós mulheres não tenhamos coragem de ousar existir como seres humanos. Meu sentimento é de indignação, mas também é de luta, de correr atrás dos meus direitos e de conseguir justiça", afirmou
Entenda o caso
No registro feito junto à polícia, Julie Yukari afirmou que tirou a foto com sua gata, no dia 31 de dezembro, e foi dormir após a virada do ano.
Quando acordou, viu que havia vários perfis no X (antigo Twitter) pedindo ao Grok (inteligência artificial) para que gerasse fotos dela sem roupa e em poses sexuais.
Segundo ela, a inteligência artificial acabou ferindo sua reputação e fazendo uso de sua imagem de forma depreciativa, sem consentimento nem permissão.
No dia 2 de janeiro, Julie disse que tinha denunciado o caso à polícia:
"Boletim de ocorrência registrado. Em breve a gente descobre a identidade desses criminosos"