
Estados Unidos e Irã enfrentam uma nova escalada de tensões após o governo norte-americano sugerir a possibilidade de um ataque ao país do Oriente Médio. A ameaça ocorre em meio à onda de manifestações que se espalha pelo Irã. Teerã afirmou que irá retaliar qualquer ofensiva militar.
Desde 28 de dezembro, milhares de pessoas marcham nas principais cidades iranianas contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Os protestos começaram diante da insatisfação popular com a situação econômica do país.
Nos últimos dias, o presidente Donald Trump tem sinalizado que os Estados Unidos podem interferir nos protestos.
No sábado (10), o norte-americano afirmou que o Irã está “buscando a liberdade” e disse que os EUA “estão prontos para ajudar”.
Três dias depois, ele pediu que os manifestantes continuassem nas ruas e declarou que “ajuda está a caminho”, sem detalhar o significado da afirmação.
A imprensa americana afirmou que Trump tende a atacar o Irã e que uma operação militar é considerada mais provável do que improvável.
Na terça-feira (13), em tom de ameaça, Trump disse que poderia adotar “medidas muito duras” caso o Irã começasse a executar manifestantes. A declaração ocorreu após uma ONG denunciar que um jovem de 26 anos detido nos protestos seria enforcado. Depois da fala do presidente, a organização afirmou que a execução foi adiada.
Na quarta-feira (14), a agência Reuters informou que os Estados Unidos começaram a retirar parte dos funcionários de bases militares estratégicas no Oriente Médio como medida de precaução.
“Todos os sinais indicam que um ataque dos EUA é iminente, mas esse é o comportamento desta administração para manter todos em alerta. A imprevisibilidade faz parte da estratégia”, disse um militar à Reuters.
Dois funcionários europeus ouvidos pela agência afirmaram que uma operação militar dos EUA poderia ocorrer dentro de 24 horas.
Uma autoridade de Israel disse que Trump aparentemente optou pela intervenção militar, mas que o tamanho da operação era incerto
Sinais
Ainda na terça-feira, o governo dos EUA emitiu um alerta determinando que todos os cidadãos americanos deixassem o Irã imediatamente. Canadá, França e Polônia adotaram medidas semelhantes.
O Reino Unido fechou temporariamente a embaixada em Teerã e pediu que cidadãos britânicos evitassem viajar também para Israel.
Movimentações em bases militares, além de embaixadas, e avisos sobre viagens também foram comuns dias antes do ataque de Israel ao Irã, em junho de 2024.
Na madrugada de quarta-feira, pelo horário local, uma aeronave não tripulada da Marinha dos EUA apareceu nos radares do site FlightRadar24 sobrevoando uma área próxima à costa iraniana.
Quase 24 horas depois, o Irã fechou o espaço aéreo para voos internacionais, com exceção daqueles com origem ou destino a Teerã. Mais cedo, autoridades da Alemanha emitiram uma diretriz alertando companhias aéreas do país a evitar o espaço aéreo iraniano.