
Em posição geográfica estratégica e vizinho do Paraguai, o Mato Grosso do Sul se tornou uma das principais rotas de entrada ilegal de canetas emagrecedoras no Brasil. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, os criminosos passaram a contrabandear esses medicamentos usando as estradas historicamente exploradas pelo tráfico de cocaína e maconha.
Desde 2025, as forças de segurança registram aumento nas apreensões. Apenas no ano passado, mais de 3 mil caixas — cerca de 12 mil doses — de canetas emagrecedoras foram apreendidas no estado, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Já até a primeira quinzena de janeiro deste ano, foram 1,4 mil caixas, o equivalente a quase 6 mil doses. De acordo com a pasta, a maioria dos produtos vem do Paraguai.
Desde novembro de 2025, a entrada no Brasil destes medicamentos vindos de países estrangeiros sem registro no Brasil é considerada contrabando. A determinação foi da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proibiu a entrada das canetas emagrecedoras no país.
Nesta reportagem, o g1 mostra como Mato Grosso do Sul se tornou uma das principais portas de entrada ilegal de canetas emagrecedoras. A combinação de três fatores ajuda a explicar esse cenário:
Estar na região de fronteira com o Paraguai;
Uso de rotas já utilizadas pelo tráfico de drogas;
Alta procura pelas canetas emagrecedoras.
O alto número de apreensões e os relatos das forças de segurança indicam que o contrabando passou a adotar a mesma logística do tráfico internacional de drogas. Além de gerar lucro para criminosos, a prática oferece riscos à saúde pública, já que os produtos entram no Brasil sem controle sanitário.
Apreensões em rodovias ligadas ao Paraguai
Segundo a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e a Receita Federal, os medicamentos saem de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, entram no Brasil por Ponta Porã (MS) por uma fronteira seca e seguem pelas estradas até os destinos.
Entre as rotas usadas, estão as rodovias BR-463, MS-164 e MS-162, além de estradas vicinais próximas a áreas de indústrias, segundo as fontes de força de segurança ouvidas pelo g1. As apreensões, com base nos dados da PF, PRF, DOF e Receita Federal, são contabilizadas de forma geral, considerando rodovias federais, estaduais e as estradas vicinais.
MS-164 — A rodovia, já conhecida como rota do tráfico de drogas, também vem sendo usada para o contrabando de canetas emagrecedoras. Em 17 de janeiro deste ano, mais de 200 canetas foram apreendidas em um ônibus intermunicipal que fazia a linha entre Ponta Porã e Três Lagoas. No mesmo trecho, dias antes, em 12 de janeiro, foram apreendidos 267 quilos de maconha.
BR-463 — A rodovia federal também aparece em apreensões de medicamentos ilegais. Em 19 de janeiro deste ano, durante um bloqueio policial, foram encontrados mais de 1,8 mil tonelada de maconha em uma caminhonete roubada que tentou furar a fiscalização. No mesmo corredor, em 4 de agosto do ano passado, equipes apreenderam 189 canetas emagrecedoras em um veículo que vinha de Ponta Porã.
MS-162 — Em 22 de dezembro de 2025, o DOF apreendeu um veículo furtado em São Paulo que transportava 1,1 mil tonelada de maconha. Já em 6 de janeiro deste ano, no mesmo trecho, a Polícia Militar Rodoviária (PMR) encontrou 20 caixas de canetas emagrecedoras em um dos veículos abordados.