
Em um pleito histórico e definitivo, os portugueses vão às urnas neste domingo (8) para escolher quem será o próximo presidente do país. A eleição será um embate entre o Partido Socialista, favorito, e a extrema direita, que ano passado se tornou uma das principais forças do Parlamento.
As urnas foram abertas às 08h02 no horário local (05h02 no horário de Brasília).
Estão na disputa o socialista António José Seguro, que venceu o primeiro turno, com cerca de 31% dos votos, e o candidato da extrema direita, André Ventura, que ficou em segundo lugar na primeira rodada, com 23,49% dos votos.
Ventura é lider do Chega, a sigla da extrema direita que se tornou nas últimas eleições a segunda força política de Portugal.
Em um arranjo pouco comum, o Poder Executivo de Portugal é dividido entre as figuras de presidente e primeiro-ministro, por conta do sistema político do país, o semipresidencialismo, que determina a existência dos dois cargos. E o presidente português, embora fique afastado do cotidiano do governo, é quem tem o poder de tomar grandes decisões para a política do país.
Pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas indicam vitória de Seguro neste segundo turno. Um levantamento realizado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop), da Universidade Católica, mostra o candidato do Partido Socialista com 70% das intenções de votos, contra 30% do líder do Chega.
Isso porque Ventura tem um índice de rejeição alto — cerca de 60% dos eleitores, segundo pesquisas.
Mas o cenário ainda é incerto, principalmente por conta de outro fator que invadiu a campanha eleitoral para o 2º turno: o climático. Uma série de temporais de inverno atingiu Portugal nas últimas semanas, causando mortes e destruição. Uma cidade inteira ficou praticamente debaixo d'água.
Os dois candidatos adaptaram suas campanhas para visitar locais afetados e conversar com moradores, e ambos teceram críticas à resposta do atual governo aos efeitos dos temporais, que continuam a atingir o país e a vizinha Espanha.
Uma nova frente fria também com tempestades que chegou no fim da semana ao país gerou o temor de uma alta abstenção -- o voto não é obrigatório em Portugal, o que pode bagunçar as previsões atuais. Ventura chegou a pedir o adiamento do pleito, mas o governo negou.