
O manobrista da academia responsável pela manutenção da piscina onde morreu uma aluna de natação contou à polícia que limpava o espaço seguindo ordens de um dos sócios da Academia C4 Gym, enviadas pelo WhatsApp.
Severino José da Silva, de 43 anos, prestou depoimento na manhã desta terça-feira (10) no 47° Distrito Policial do Parque São Lucas, que investiga o caso. Os donos da academia também são esperados para prestar esclarecimentos.
No sábado (7), a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após fazer uma aula de natação. Outros cinco alunos, incluindo um adolescente, também apresentaram sinais de intoxicação.
A principal suspeita das autoridades é que a manipulação de produtos químicos próximo à área de aula pode ter afetado as pessoas, já que o espaço é fechado e tem pouca ventilação. As defesas do manobrista e do sócio da academia não foram localizadas até a última atualização da reportagem.
Sem preparo técnico e sem EPI
Segundo o depoimento, obtido pela TV Globo, Severino trabalha há cerca de três anos na academia, com registro em carteira como manobrista, mas contou que também era responsável por abrir a unidade e realizar a manutenção das piscinas.
O acúmulo de funções era determinado pelo sócio da academia, identificado como Celso, que orientava o uso de produtos químicos por mensagens, a partir de fotos enviadas com os testes da água.
À polícia, Severino afirmou que nunca recebeu treinamento, habilitação técnica ou equipamentos de proteção individual (EPIs) para manusear produtos químicos, apesar de realizar a manutenção rotineira da piscina. Disse ainda que essa falta de preparo era de conhecimento do proprietário.
Ele relatou que aprendeu o procedimento com o antigo manobrista da academia, que já executava a mesma função. A rotina consistia em medir os níveis da água, fotografar o resultado e enviar a imagem a Celso, que indicava quais produtos deveriam ser aplicados e em qual quantidade.