
De acordo com a Prefeitura de Natal, 160 famílias da região ficaram desalojadas após o transbordamento da lagoa de captação do Jardim Primavera, na zona Norte da capital. Diante do cenário, o prefeito Paulinho Freire (União Brasil) anunciou que vai enviar à Câmara Municipal um projeto para isentar do pagamento do IPTU os moradores afetados. Segundo a Prefeitura, a proposta será estruturada junto com a Secretaria de Finanças (Sefin) antes de ser encaminhada à Casa Legislativa.
As chuvas que atingiram Natal na madrugada desta quarta-feira (11) intensificaram o transbordamento da lagoa de captação, localizada no bairro Nossa Senhora da Apresentação. Os alagamentos ocorreram em função da obra em andamento na Rua José Luiz da Silva, que, somada às chuvas recentes, agravou a elevação do nível da água. A previsão é que a intervenção seja concluída até o final de abril. Enquanto isso, a Prefeitura informou que mantém uma força-tarefa permanente para evitar novos episódios e minimizar os transtornos enfrentados pela população.
Entre as ações em execução estão a implantação de novas tubulações, a criação de estruturas de proteção para mangueiras e estratégias para dar maior celeridade às obras. A gestão municipal também iniciou a instalação de bombas de grande potência, adquiridas recentemente e que chegaram na última sexta, sendo utilizadas tanto no Jardim Primavera quanto em outras lagoas da cidade. Em paralelo, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) segue adotando medidas para garantir o escoamento da água, com duas bombas já instaladas no local, reforçando a segurança e acelerando a redução do nível da lagoa.
Segundo a Prefeitura, das 82 lagoas existentes no município, apenas a do Jardim Primavera apresentou complicações, em razão da obra em andamento em uma avenida próxima, responsável pelo escoamento da água.
“De forma paliativa, instalamos bombas no local para conter a situação. A população está sendo tratada como prioridade, não apenas pela Secretaria de Infraestrutura, mas também por todas as secretarias”, destacou a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti.
Uma das residentes prejudicadas foi Francisca Cristina Farias, 53 anos, que mora em uma rua vizinha à lagoa há mais de 10 anos. O local é uma das avenidas constantemente atingidas pela falta de escoamento adequado da água das chuvas na Lagoa Jardim Primavera.
Sem perspectivas de melhora da situação, a moradora decidiu sair de casa voluntariamente para ficar abrigada na casa do filho. Pensou pouco nos bens materiais, pois já sentiu na própria pele as consequências do contato com a água da lagoa: “Saí de lá porque da outra vez peguei uma bactéria e fiquei internada. Passei mais de oito dias internada”, relata.