
Dois governadores que pretendem disputar uma vaga no Senado em 2026 respondem a ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que podem levar à cassação de seus mandatos e à declaração de inelegibilidade. Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, e Antonio Denarium, de Roraima, são julgados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Os processos ainda não foram concluídos e podem impedir a participação dos dois na disputa por vagas no Senado, em caso de condenação.
O caso de Denarium está em análise no tribunal há quase dois anos e teve o último pedido de vista encerrado em 11 de janeiro, mas ainda aguarda inclusão na pauta para retomada do julgamento.
Ele e o vice foram cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Roraima, sob a acusação de ampliar programas sociais e distribuição de benefícios em ano eleitoral.
Denarium recorreu e segue no cargo até que haja decisão do TSE. Já há dois votos no tribunal pela manutenção da cassação e pela inelegibilidade. O julgamento foi interrompido em novembro.
Já o processo de Castro tem continuidade prevista para 10 de março. Ele é acusado de ter se beneficiado de um esquema de distribuição de cargos e recursos públicos em 2022.
A ação questiona a atuação da Fundação Ceperj e a contratação de cerca de 27,5 mil pessoas a poucos meses do pleito, com pagamentos em espécie e gastos superiores a R$ 300 milhões, além da ampliação de programas e repasses. A defesa do governador nega irregularidades e afirma que não há provas de ligação direta com as contratações.
Ao contrário de Denarium, Castro foi absolvido na primeira instância, mas a oposição recorreu e o caso subiu para o TSE.
Possível impacto nas eleições de 2026
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que, apesar da complexidade dos casos e das interrupções, há tendência de que o tribunal conclua os julgamentos antes da eleição, que será em outubro.
“São casos bastante complexos, com discussão sobre cassação de mandato de governador e análise de muitos elementos. Mas, pela celeridade que marca a Justiça Eleitoral, há uma tendência de conclusão dos julgamentos antes das próximas eleições", diz o advogado eleitoral Michel Bertoni Soares, mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
A eleição de 2026 renovará 54 das 81 cadeiras do Senado, com dois representantes eleitos por estado para mandatos de oito anos. A dimensão da renovação ampliou o peso político da disputa.
Além de votar leis, o Senado tem atribuições como julgar presidentes da República e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes de responsabilidade e aprovar indicações para tribunais superiores, para a Procuradoria-Geral da República e para a direção do Banco Central.
Apesar dos processos em curso, Denarium anunciou em outubro de 2025 que pretende disputar o Senado em 2026.
Cláudio Castro também foi anunciado pelo líder do PL, Valdemar da Costa Neto, nesta terça (24) como pré-candidato ao Senado pela sigla. O governador avisou que sairá do governo em abril para disputar o pleito.