
Duas semanas após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, a comunidade internacional ainda cobra explicações sobre o bombardeio à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul iraniano. Dezenas de crianças morreram no ataque.
O bombardeio ocorreu em 28 de fevereiro, no primeiro dia do conflito. Segundo o Crescente Vermelho iraniano, 175 pessoas morreram. O embaixador do Irã na ONU, em Genebra, afirmou que 150 das vítimas eram crianças.
A escola ficava ao lado de uma base da Guarda Revolucionária do Irã e integrava uma rede de ensino ligada à corporação militar.
A unidade era uma das 59 escolas do Instituto Educacional Cultural Mártires do Golfo Pérsico, segundo a Reuters.
Investigações da imprensa internacional indicam que a maioria dos mortos era formada por estudantes.
Na manhã daquele sábado, bombardeios miraram a base próxima à escola. Um vídeo verificado pelo jornal The New York Times indica que a região foi atingida por um míssil Tomahawk, arma comumente usada pelos Estados Unidos. Irã e Israel não operam esse tipo de míssil.
Segundo a Reuters, uma investigação preliminar conduzida por autoridades americanas aponta que os Estados Unidos foram responsáveis pelo ataque. Antes disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a atribuir a responsabilidade ao Irã.
A repercussão do caso aumentou a pressão interna e externa sobre o governo Trump. Parlamentares democratas da oposição pediram uma investigação rigorosa sobre o bombardeio, e a ONU também defende que o episódio seja apurado.
Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais pelas universidades de Estrasburgo e Groningen, explica que escolas são alvos civis protegidos pelo Direito Internacional Humanitário, desde que não abriguem tropas nem sejam usadas como centros de comando militar.
Segundo ele, mesmo que o ataque seja configurado como crime de guerra, dificilmente os Estados Unidos seriam punidos internacionalmente.
“Nem os EUA nem o Irã fazem parte do Tribunal Penal Internacional. Portanto, a única forma de o tribunal intervir seria se o Conselho de Segurança da ONU pedisse uma investigação, algo que os Estados Unidos vetariam, já que são um dos membros permanentes.”