
Após o incêndio que atingiu a escultura em homenagem à Nossa Senhora de Fátima, em fevereiro, na zona Norte de Natal, o escultor Ranilson Viana mantém a previsão de que a imagem seja entregue, restaurada, até setembro deste ano. Segundo ele, atualmente, sua equipe estuda formas de prevenir novos acidentes e segue nos preparativos para reconstruir a escultura.
Nesta semana, a equipe retirou a estrutura metálica do local, no bairro Pajuçara, e realizou a limpeza do ambiente. “Vamos continuar com o processo de remodelagem das peças, para a gente poder fazer essa parceria com o Município, de levar para [Natal] e fazer a montagem lá”, diz Viana, que trabalha em Petrolina (PE).
“Estamos comprando novamente todo o material que a gente precisa para retomar. Enquanto isso, estamos remodelando [algumas peças do monumento]. Desde o dia em que eu estive aí, a gente não parou. Vamos começar a parte de esculpimento aqui [PE], para depois, em Natal, reiniciarmos o processo de pré-montagem na parte de baixo e o processo de montagem em cima”, explica.
Até o momento, as investigações indicam que a causa do incêndio deve ter sido um curto-circuito na máquina de solda. Diante disso, a equipe responsável pela obra estuda uma forma de não precisar mais do equipamento, de modo a evitar novos episódios de incêndio. Um trabalhador teve uma queimadura leve após o incêndio, que ocorreu em 24 de fevereiro.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura de Natal afirma que “acompanha a construção com diálogo frequente com a equipe responsável pela estrutura da imagem”. A obra está sendo tocada pela equipe de Ranilson Viana e não deve gerar custos extras ao Município. Viana estima seu prejuízo de cerca de R$ 3 milhões.
O material de construção do monumento seguirá sendo o mesmo, segundo Viana, porque é o melhor para esculturas. Ele diz que o isopor anti-chamas que foi usado na escultura para modelagem não pegou fogo, apenas derreteu.
Viana diz que está falando com uma pessoa ligada a Luciano Hang, dono das lojas Havan, para estudar métodos de prevenção de queimaduras. Isso porque as lojas Havan sofrem atos de vandalismo nas suas estátuas, que têm o mesmo material da imagem da santa, explica Viana.
“Estamos vendo um novo produto no mercado para aplicar uma pigmentação antichamas na resina […] Na própria montagem, a gente está vendo e revendo uma maneira de eliminar a máquina de solda, porque foi ela que causou essa situação”, diz o escultor.
O monumento, que integra o Complexo Turístico Religioso Nossa Senhora de Fátima, foi projetado para ter 35 metros de altura, sobre uma base de 8 metros, e integra um conjunto de intervenções da Prefeitura do Natal, com investimento estimado em R$ 15 milhões.
A ordem de serviço para a construção da imagem foi assinada em 5 de junho de 2024, pelo então prefeito Álvaro Dias. As primeiras peças do monumento chegaram a Natal no dia 26 de dezembro daquele ano.
Na região, comerciantes esperam com expectativa que a obra seja entregue e traga movimento. Elisângela Carla de Medeiros, 46, diz que viu a equipe tirando as estruturas metálicas, mas teme que a restauração não seja entregue no prazo previsto. “A gente quer que fique pronto. Nós, comerciantes, precisamos de movimento”, diz ela.
“Expressar a nossa fé é muito importante nos dias de hoje”, afirma a comerciante, que é católica. No último domingo (5), o estabelecimento de Elisângela sofreu um arrombamento. Ela conta que alguns de seus pertences foram saqueados e que a região está perigosa.
Tiago da Silva, 34, concorda que a sensação é de insegurança e espera que a movimentação esperada com o complexo turístico religioso amenize a situação. “Se sair, vai movimentar muito, porque aqui é parado. Deu 6 horas da noite, 6h30, não vejo ninguém na rua, só carros passando. Aqui começou a ter arrombamentos”, relata.