
Não é difícil de imaginar que se Tarsila do Amaral, ícone das artes e do modernismo brasileiro, vivesse na era digital, ela também encabeçaria uma renovação cultural - assim como fez na década de 20 ao lançar o 'Manifesto Antropofágico,' defendendo a valorização da identidade nacional ao lado de Oswald de Andrade.
Agora é Paola Montenegro, sua descendente, que leva a nova geração a conhecer e se conectar com a obra da Tarsila. Em plataformas como Instagram e TikTok milhares de seguidores têm acesso fácil ao legado da artista.
O que foi o 'Manifesto Antropofágico'? Foi um movimento que defendia que a cultura brasileira deveria “devorar” influências estrangeiras e recriá-las valorizando a identidade nacional por meio de uma arte original, crítica e profundamente ligada às raízes do país.
Desde 2023, a sobrinha-bisneta da artista, que tem 30 anos e desperta comparações pela semelhança física com a antepassada, administra a marca Tarsila S/A e leva às redes sociais curiosidades sobre a vida da ilustre parente.
“O trabalho no digital surgiu da necessidade de reposicionar e atualizar a forma como a obra de Tarsila é percebida. A internet passou a ser usada como uma ferramenta de circulação e presença da obra estivesse inserida no cotidiano contemporâneo”, explica.
Nos vídeos, Paola explica a visão da tia-bisavó em temas como feminismo, história e curiosidades sobre suas obras. Em um deles, por exemplo, ela conta que o Abaporu foi pintado para ser presente ao amigo Oswald, em 1928 e como o nome do quadro foi escolhido. (veja no infográfico abaixo onde essa e outras das principais obras de Tarsila estão expostas pelo 🌍)
O trabalho dela na internet, segundo Victor Corte Real, diretor da Faculdade de Artes Visuais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) se enquadra na chamada midiatização da arte.
" A ‘deselitização’ da arte é algo muito positivo, porque você tem mais pessoas podendo usufruir, ser sensibilizado, aumentando o próprio senso estético e o senso crítico”, disse.