Mundo
12354

A Europa segue em constante estado de alerta enquanto não há acordo de paz entre a Rússia e Ucrânia. Diante das ameaças seguidas do presidente russo, Vladmir Putin, vários países têm adotado medidas concretas para a possibilidade de um confronto maior.

É o caso da Finlândia, que vem intensificando exercícios militares e fortalecendo a cultura de sobrevivência entre civis. O país vive em estado de alerta e investe pesado em prontidão. Atualmente, o Exército finlandês conta com 900 mil reservistas em uma população de apenas 5,5 milhões de habitantes.

O 'fantasma russo'
 
O "fantasma russo" é uma preocupação histórica, já que o país foi invadido pela União Soviética em 1939 e perdeu cerca de 10% de seu território. Após décadas de neutralidade, a Finlândia entrou para a OTAN em 2023, o que aumentou a fronteira terrestre da aliança com a Rússia em 1.340 quilômetros.

O secretário-geral da organização, Mark Rutte, pediu em novembro que os países membros intensifiquem esforços para evitar uma guerra de grandes proporções. "Nós somos o próximo alvo da Rússia", disse.
 
No Círculo Polar Ártico, exercícios militares conjuntos com Suécia e Reino Unido ocorrem pelo menos seis vezes por ano. Os soldados enfrentam condições extremas, com temperaturas que chegam a 18 graus negativos e falta de luz solar no inverno.

O coronel Marko Kivelä explica que a preparação no frio intenso é vital para a sobrevivência das tropas, exigindo técnicas para manter roupas secas e alimentação quente.

Embora o serviço militar seja obrigatório para homens, o número de voluntários cresce no país. A jovem Rebecca, que se inscreveu voluntariamente, afirma que sente ser seu dever diante da atual situação geopolítica global.

A percepção de prontidão é compartilhada pela sociedade, que entende a necessidade de estar preparada para cortes de água, energia ou conflitos armados.

A rotina de adestramento militar afeta a vida de moradores locais, como o caçador Hannu Ovaskainen. O ex-combatente de 58 anos vive na Lapônia e perde o acesso à sua cabana na floresta durante os frequentes exercícios do Exército.

O conceito de preparação está presente até na vida de estrangeiros, como o brasileiro Filippo Dias. Morando na Finlândia há sete anos, o guia e estudante carrega diariamente uma mochila com itens essenciais de sobrevivência. Ele transporta faca, lenha e uma chaleira para derreter neve, seguindo o ditado local de que "não existe clima ruim, mas sim roupa inapropriada".

Abrigos antiaéreos
 
A Finlândia possui hoje mais de 50 mil abrigos de defesa civil espalhados pelo país. Muitos desses espaços estão localizados no subsolo de prédios comuns, como dormitórios de estudantes, e servem para emergências imediatas. As estruturas contam com suprimento de água potável e são projetadas para abrigar a população de forma rápida e organizada.

Os maiores abrigos do país são escavados profundamente na pedra para resistir, inclusive, a ataques nucleares. Em tempos de paz, essas instalações ganham funções multiuso e operam como estacionamentos ou ginásios esportivos.

Essa estratégia permite que o alto investimento em segurança também atenda às necessidades cotidianas da comunidade e dos negócios locais.

Um exemplo dessa infraestrutura é o Santa Park, um parque temático dedicado ao Papai Noel em Rovaniemi. O local é, na verdade, um abrigo comunitário que pode ser convertido em poucas horas para receber moradores em caso de guerra.

Kenneth Tuomi, CEO do parque, destaca que a ideia é combinar o entretenimento com a segurança de uma caverna projetada para proteção civil.

Enquanto a Finlândia mantém sua "defesa disfarçada de diversão", outras nações europeias adotam posturas mais diretas. Alemanha, Holanda e França distribuem manuais de sobrevivência e simulam combates em áreas urbanas. Para o governo finlandês, a preparação minuciosa não serve para gerar pânico, mas sim para garantir que a população mantenha a calma diante de qualquer ameaça.

G1
0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Receba todas as noticias em seu WhatsApp

Comentários dos Leitores

Rafael Bezerra comentou
"E o que deu a explosão de Alcântara, onde morreram todos os 21 técnicos e cientistas do programa espacial Brasileiro? Ficou como simples acidente. Uma pena, na semana seguinte, estaríamos para lançar nossos satélites e competir com EUA, Rússia, China e Japão, em grande vantagem de economia de combustível."
Rafael Bezerra comentou
"Tamo mal, no quesito segurança."
Rafael Bezerra comentou
"Vixi! lá vem esses loucos negacionistas, de novo."
Socorro Benevides comentou
"VENDA ESSA PORCARIA"
Socorro Benevides comentou
"Quem está golpeando o país descaradamente é justamente quem ta julgando. Esse país é um cabaré"