
No domingo (1º), o Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial para a Fictor Holding e a Fictor Invest — empresas que concentram as participações societárias e as operações financeiras do conglomerado que tem mais de 10 empresas.
A empresa enfrenta uma crise de reputação e limitação no acesso a crédito desde a tentativa frustrada de comprar o Banco Master, em novembro. Segundo a Fictor, “um grande volume de notícias negativas” sobre a operação atingiu “duramente a liquidez” das duas subsidiárias.
Mas as demais empresas do grupo também sentiram os reflexos. Com ações listadas na bolsa de valores, a Fictor Alimentos (FICT3) acumula queda superior a 63% desde o caso Master.
Ainda que o grupo alegue que as demais operações continuam normalmente, as ações da companhia de alimentos desabam 40% apenas nesta segunda-feira (2). Por volta das 13h, os papéis eram negociados a R$ 0,68.
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O Grupo Fictor
Fundada em 2007, a Fictor teve origem no setor de tecnologia, como fornecedora de soluções para logística e gestão empresarial. Em 2013, realizou sua primeira operação de investimento e, a partir daí, iniciou um processo de diversificação dos negócios.
O grupo expandiu suas operações por meio de participações e investimentos em empresas de diferentes setores. Hoje, o conglomerado brasileiro atua nos segmentos de alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e financeiro.
A holding organizou seus negócios em três frentes principais: alimentos, serviços financeiros e infraestrutura.
A Fictor passou a atuar no comércio de commodities do agronegócio em 2018, ampliando sua presença na cadeia de alimentos. No setor de proteína animal, possui fábricas, granjas e frigoríficos em cinco estados: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A capacidade instalada permite o abate de até 150 mil aves por dia, com possibilidade de alcançar 350 mil em plena operação. A empresa afirma ter mais de 18 unidades nesse segmento e atender cerca de 5 mil clientes. Entre as marcas do portfólio estão Dr. Foods, Fredini e Vensa.
Em 2022, o número de empresas sob sua gestão chegou a 10. No ano seguinte, entrou no setor de energia com a criação da Fictor Energia, que atua principalmente com fontes renováveis, como usinas solares e hidrelétricas em estados como Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 2024, passou a oferecer soluções financeiras e meios de pagamento por meio da FictorPay e da Fictor Asset.
A Fictor Asset é a gestora de investimentos do grupo, voltada a fundos estruturados e outros tipos de ativos, e administra cerca de R$ 966 milhões em 10 fundos.
A FictorPay atua no setor de meios de pagamento, oferecendo soluções de cobrança, crédito e tecnologia financeira para empresas.
Na área de infraestrutura, o grupo desenvolve projetos imobiliários, de logística e de geração de energia.
Também em 2024, a Fictor Alimentos S.A., braço do grupo no setor alimentício, foi listada na B3 sob o código FICT3.
Entre 2024 e 2025, o grupo abriu escritórios no exterior, com unidades em Miami, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal, além da sede em São Paulo.
A empresa afirma empregar mais de 10 mil pessoas, direta e indiretamente.