Acidente
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O avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, emitiu ao menos cinco tipos de alertas antes da queda, segundo o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nesta quinta-feira (23).

A investigação concluiu que os avisos indicavam formação de gelo, perda de desempenho, velocidade baixa e risco de estol, mas não foram tratados de forma adequada pela tripulação.

O Cenipa também apresentou uma simulação que reconstitui os momentos finais do voo 2283, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). O acidente matou as 62 pessoas a bordo e é o mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM, em 2007.

Segundo a investigação, além dos alertas emitidos pelos sistemas da aeronave, os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais durante momentos críticos do voo e esqueceram de ligar o sistema de degelo, mesmo diante das condições favoráveis ao acúmulo de gelo.

O relatório ainda apontou que a Voepass mantinha uma "cultura de normalização de desvios" em procedimentos operacionais, fator que, segundo o Cenipa, contribuiu para que alertas recorrentes fossem tratados com menor atenção.

Quais alertas o avião emitiu?
 
De acordo com o relatório, a aeronave registrou uma sequência de avisos antes da perda de controle:

Detector eletrônico de gelo: o sistema indicou diversas vezes condições favoráveis ao acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave. O aviso deveria levar ao acionamento imediato do sistema de degelo e à alteração da velocidade de voo.

Alerta de velocidade baixa (Cruise Speed Low): o computador informou que o avião voava abaixo da velocidade recomendada e com aumento de arrasto, condição compatível com o acúmulo de gelo e perda de desempenho.

Avisos do monitoramento de performance (APM): o sistema passou a indicar degradação do desempenho da aeronave, mas, segundo o Cenipa, a tripulação teve dificuldade para reconhecer a gravidade da situação.

Alerta de estol: nos instantes finais, o sistema avisou sobre a perda de sustentação da aeronave. A investigação concluiu que a resposta dos pilotos não seguiu o procedimento previsto para esse tipo de emergência.

Aviso de nível 2: um dos alertas de velocidade perigosamente baixa era classificado pelo fabricante como de "nível 2", categoria de atenção que, segundo o relatório, pode ter contribuído para que a situação fosse subestimada.
 

O que a Voepass diz
 
Em nota, a Voepass afirmou que a tragédia foi o episódio mais difícil da história da empresa e disse que, desde o acidente, atua de forma transparente e permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A companhia também afirmou que sempre adotou procedimentos de segurança, capacitação e orientação das tripulações alinhados aos padrões internacionais.
Por fim, declarou que os pilotos do voo eram experientes, tinham mais de 5 mil horas de voo, estavam devidamente certificados, com treinamentos e acompanhamentos de saúde em dia, e que não havia qualquer registro prévio que impedisse sua atuação.

Relembre o acidente
 
O voo 2283 da Voepass caiu na tarde de 9 de agosto de 2024 em um condomínio de Vinhedo (SP), durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). Morreram 62 pessoas — 58 passageiros e quatro tripulantes.

Ao longo da investigação, o Cenipa analisou as duas caixas-pretas, realizou testes em simuladores, um voo experimental com outro ATR 72-500, examinou motores, sistemas de degelo e proteção contra estol, além de estudar mais de 15 mil voos da mesma frota e diversos documentos técnicos.

O relatório final divulgado nesta quinta-feira reúne as conclusões técnicas sobre os fatores que contribuíram para o acidente e apresenta recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar novas tragédias.

 

G1
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Comentários dos Leitores

Rafael Bezerra comentou
"E o que deu a explosão de Alcântara, onde morreram todos os 21 técnicos e cientistas do programa espacial Brasileiro? Ficou como simples acidente. Uma pena, na semana seguinte, estaríamos para lançar nossos satélites e competir com EUA, Rússia, China e Japão, em grande vantagem de economia de combustível."
Rafael Bezerra comentou
"Tamo mal, no quesito segurança."
Rafael Bezerra comentou
"Vixi! lá vem esses loucos negacionistas, de novo."
Socorro Benevides comentou
"VENDA ESSA PORCARIA"
Socorro Benevides comentou
"Quem está golpeando o país descaradamente é justamente quem ta julgando. Esse país é um cabaré"