
Quando a tela do computador carregou e a palavra “aprovada” surgiu, nem o silêncio de nervosismo do quarto conseguiu conter o barulho de um sonho se realizando. Aos 18 anos, a gaúcha Mariana Chaves descobriu que havia sido aceita com bolsa integral em Harvard, uma das universidades mais concorridas do mundo.
Ao chegar a Boston, ela vai morar nos dormitórios da instituição com todos os custos da graduação: alimentação, transporte e seguro-saúde incluídos na bolsa.
A notícia de dezembro, que apareceu após um simples clique no portal da instituição, encerrou anos de preparação e abriu um novo capítulo da vida de Mariana. A informação foi confirmada ao g1 por Harvard, que afirmou que a estudante está entre os brasileiros da turma do Harvard College de 2030.
Os dados oficiais mais recentes de Harvard, sediada em Massachusetts, nos Estados Unidos, mostram que 16% dos estudantes admitidos na turma de 2029 foram classificados como “internacionais”, categoria que inclui tanto estrangeiros quanto cidadãos norte‑americanos que viviam fora do país durante a candidatura.
Apesar da dedicação, Mariana dizia sentir que a resposta negativa seria mais provável do que a positiva.
"Foi uma surpresa muito boa. Chorei muito, minha família também, e agora é só se preparar para os próximos passos", comenta.
Nascida em Santiago e moradora de Santa Maria, na Região Central do RS, a jovem embarca em agosto para os Estados Unidos, quando começa o ano letivo no país.
Como funciona o processo seletivo
De acordo com informações oficiais de Harvard, o comitê analisa o candidato considerando desempenho acadêmico no Ensino Médio, além de iniciativas comunitárias, liderança e distinção em atividades extracurriculares.
Ao longo dos últimos anos, Mariana participou de atividades que marcaram seu perfil candidato. Entre elas:
Voluntariado no Interact Club, onde teve contato direto com famílias e comunidades em situação de vulnerabilidade;
Pesquisa acadêmica, que ajudou a definir seu interesse pela área econômica;
Mentoria da Fundação Estudar, que acompanhou todo o processo de candidatura;
Simulações da ONU, que trouxeram aprendizado em diplomacia, oratória e negociação.
"[As simulações da ONU] são debates em que a gente representa países do mundo e debates de problemas globais, focado em diplomacia, negociação, oratória. São eventos que acontecem tanto online, como presencial. Santa Maria, Porto Alegre e outras cidades do Rio Grande do Sul tem essa simulação. Então, me abriu muito esse conhecimento, essa visão sobre os problemas do mundo", explica Mariana.
A instituição enfatiza que “não há fórmula para ser admitido em Harvard”. Entre os requisitos estão relatórios escolares, recomendações e testes padronizados.
O processo de seleção ainda envolve múltiplas etapas obrigatórias, como: estar nas plataformas oficiais de candidatura, responder às perguntas suplementares de Harvard, redigir um ensaio pessoal, preencher a lista de atividades, enviar o histórico escolar e cartas de recomendação de professores.
Harvard esclarece ainda que os estudantes não precisam escolher o curso antes de entrar, já que a declaração de concentração só ocorre no segundo ano da graduação.
Mariana conta que todo o processo seletivo foi em inglês: formulários, redações, entrevistas e materiais complementares. Apesar de já ser fluente antes, acredita que o próprio processo funcionou como uma imersão.
"Aprendi muito através da comunicação, da imersão ouvindo música, assistindo filme, vídeo, falando com nativos", conta. "O processo [para Harvard] ensina muito inglês na prática mesmo", diz.