
Uma denúncia anônima levou à descoberta de uma doméstica de 62 anos que estava há 55 anos trabalhando sem receber salário no Ceará. Órgãos de fiscalização e a Polícia Federal foram à residência da família, localizada em condomínio de luxo no Eusébio, na região Metropolitana de Fortaleza, onde resgataram a vítima e identificaram uma situação de trabalho análogo à escravidão.
No momento do resgate, a trabalhadora estava na casa da neta da primeira empregadora e era responsável pelos cuidados cotidianos de duas crianças, de 11 e sete anos, além da preparação das refeições e da execução de todas as atividades domésticas essenciais ao funcionamento da residência.
Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, no curso da fiscalização, o empregador reconheceu a prestação de serviços sem formalização do vínculo empregatício e admitiu que a remuneração não era realizada de forma regular. Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi assinado com obrigações a serem cumpridas pelos empregadores.
No entanto, em nota enviada à imprensa, a família negou as acusações e afirmou cumprir todas as obrigações trabalhistas. O Ministério Público do Trabalho (MPT) acompanha o cumprimento dos acordos, enquanto a Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) faz a assistência da vítima e diz prepará-la para reinseri-la à sociedade.