
Advogados falam que as mensagens contêm "erros crassos" de português, incompatíveis com o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
A defesa do tenente-coronel Mauro Cid pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta quinta-feira (12), que investigue a autoria de um perfil em rede social atribuído a ele, por meio do qual estaria se comunicando em violação às medidas cautelares impostas no âmbito da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.
Os advogados do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) classificam como “falsidade grotesca” as mensagens publicadas pela revista Veja e atribuídas ao militar. Alegam que as mensagens são falsas e estão fora de contexto, apontando para uma possível montagem.
A reportagem da Veja traz prints do que seria uma troca de mensagens entre o militar, usando justamente um perfil com o nome “Gabriela R”, e alguém do círculo próximo do ex-presidente. De acordo com a publicação, o conteúdo indicaria um jogo duplo por parte do delator, que relatava ao interlocutor uma versão diferente da apresentada nos depoimentos do acordo de colaboração premiada.
Ao STF, a defesa de Cid afirmou que o ex-ajudante de ordens jamais utilizou o perfil e que a conta não tem relação com a esposa do delator, apesar de levar o mesmo nome.
Os advogados citam ainda a presença de erros grosseiros de português, o uso de forma de tratamento inadequada entre militares e a inclusão de informações que não constam dos depoimentos oficiais de Cid. Afirmam também que os diálogos apresentam uma linguagem incompatível com a de Mauro Cid, classificando-a como “grosseira, quase analfabeta”.
"Há erros crassos de concordância verbal, a forma equivocada de se referir aos generais da Forças Armadas, entre outros, destaca-se a forma grosseira, quase analfabeta, com que foram construídos os diálogos e que jamais poderiam ser de autoria de Mauro Cid", citam os advogados.