
Um casal de passageiros que estava no avião da Latam que ia para Lisboa e abortou a decolagem quando já iniciava a subida na noite de domingo (15) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, relatou momentos de pânico dentro da aeronave, com pessoas chorando e desesperadas. Não houve feridos.
Com capacidade para cerca de 400 passageiros, o voo no Boeing 777-300 foi cancelado e um novo foi remarcado para esta terça. Em nota, a Latam disse que "o procedimento foi efetuado em total segurança" e que seguiu o protocolo para esse tipo de situação. A companhia, no entanto, não informou a causa do incidente.
Segundo a analista de planejamento financeiro Bruna Pedrazzi, de 29 anos, passageira do voo, foi possível sentir quando a aeronave chegou a levantar do solo e voltou bruscamente ao chão.
A gente sentiu o avião subir. Sabe quando o trem de pouso sobe e a gente sente aquela pressão? Nesse instante em que subiu, na hora, deu uma descida, caiu. Pra gente que estava ali dentro, era como se tivesse despencado um prédio inteiro de altura, mas, quando a gente vê os vídeos, não foi tanto.
— Bruna Pedrazzi, analista de planejamento financeiro
Bruna conta que a freada foi tão repentina que alguns quase bateram a cabeça no banco da frente. "Nessa hora, muita gente começou a chorar e falar: 'ah, Meu Deus, eu vou morrer! Meu Deus, não era pra gente ir hoje", relembra.
Ela diz que o avião seguiu até quase o fim da pista de decolagem, que tem cerca de 3.400 metros, e a voz do piloto, ao se comunicar pelo sistema de voz interno do avião para informar que o motor havia superaquecido, parecia preocupada, o que deixou os passageiros ainda mais assustados.
Quando chegou no final da pista, já estava quase acabando a pista, a voz do piloto foi, pra gente que estava ali dentro, preocupante, uma voz carregada de emoção. Não lembro direito, mas foi mais ou menos isso: 'Permaneçam sentados, permaneçam sentados'. Era uma voz embargada, de preocupação. Isso assustou a gente também.
— Bruna Pedrazzi, passageira do voo
O marido dela, o engenheiro de dados Lucas Pedrazzi, de 34 anos, conta que algumas pessoas ficaram "desesperadas, dizendo que iam vomitar. Outras falavam que 'estavam morrendo'. Um pânico, e nada foi feito para essas pessoas. Depois, muito depois, [os comissários] passaram com água".
De acordo com o casal, a tripulação não deu nenhum esclarecimento sobre o que estava acontecendo. Eles souberam por postagens na internet que bombeiros estavam a caminho e viram pelas janelas quando chegaram com mangueiras de água para resfriar os freios.
"O avião conseguiu parar no finalzinho da pista. Só que, por conta disso, o freio, que foi feito para isso, superaqueceu e ficou incandescente. As imagens do freio vermelho não são de fogo, são os freios superaquecidos, incandescentes", diz Lucas.