
O ano de 2026 deve ser desafiador para quem busca uma vaga no serviço público. A ministra da Gestão, Esther Dweck, já informou que não haverá uma terceira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), o que altera o cenário para os candidatos.
Sem o “Enem dos Concursos”, as oportunidades tendem a se concentrar em disputas mais tradicionais. Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que essa redistribuição pode tornar as provas mais concorridas, sobretudo em carreiras e órgãos historicamente consolidados.
“Muitos candidatos que estavam concentrados em uma única preparação agora tendem a migrar para seleções específicas. Além disso, concursos que antes tinham menos visibilidade podem atrair novos perfis”, explica a professora Letícia Bastos, do Gran Concursos.
Apesar do cenário mais competitivo, 2026 deve ser um dos anos mais movimentados da última década para o setor.
Um levantamento da Associação de Apoio aos Concursos Públicos e Exames (Aconexa) aponta a previsão de mais de 230 mil vagas em concursos públicos em todo o país, incluindo seleções federais, estaduais e municipais.
Segundo a entidade, o número elevado de oportunidades é impulsionado pelo déficit de servidores, pelas aposentadorias acumuladas nos últimos anos e pela necessidade de recompor equipes em áreas estratégicas da administração pública.
Entre os concursos mais aguardados de 2026 estão as seleções de órgãos federais, incluindo a Advocacia-Geral da União (AGU), que solicitou diversas vagas para cargos da área administrativa.
Também estão no radar concursos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Banco Central, da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Câmara dos Deputados, que já teve edital publicado e está com inscrições abertas.
Na esfera estadual e municipal, a associação afirma que a maior parte das vagas deve se concentrar nas áreas de educação, saúde, segurança pública e administração, com oportunidades em tribunais, secretarias estaduais e prefeituras de diferentes regiões do país.
Ano eleitoral
Embora 2026 seja ano de eleições, a legislação não proíbe a publicação de editais, a aplicação de provas ou a homologação de resultados. As restrições se aplicam apenas à nomeação e à posse dos aprovados nos três meses que antecedem o pleito.
Na prática, os órgãos públicos podem avançar com todas as etapas do concurso, desde que a nomeação não ocorra no período proibido. Em 2026, como o primeiro turno será em 4 de outubro, a restrição passa a valer de 4 de julho de 2026 até 5 de janeiro de 2027.
Há exceções previstas em lei, como contratações emergenciais em áreas essenciais. Por isso, especialistas apontam que muitos órgãos tendem a acelerar a publicação de editais e a homologação de resultados no primeiro semestre, para permitir nomeações antes do período de restrição.
Ao mesmo tempo, a expectativa do setor é que 2026 seja um ano de “plantio”, especialmente para quem mira concursos de médio e grande porte.
“O ano eleitoral é visto como um período de ‘plantar para colher’. Por causa das restrições, é comum que os anos seguintes concentrem mais concursos, e quem se prepara em 2026 sai na frente para aproveitar as oportunidades de 2027”, explica Eduardo Cambuy, professor do Gran Concursos.
Segundo ele, como a preparação para concursos de médio e grande porte leva de seis meses a um ano, o período favorece estudos mais focados e com menos pressão. Diante desse cenário, a recomendação é que os candidatos comecem a se preparar desde já.
Abaixo, o g1 preparou uma lista com 15 concursos públicos federais que já estão em andamento ou que foram autorizados pelo Ministério da Gestão, mas ainda não tiveram seus editais divulgados.