Ciência
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Eram pouco mais de 3h da manhã quando o barulho começou. Antes que moradores conseguissem entender o que estava acontecendo, paredes balançaram, telhas caíram e uma cidade inteira acordou assustada.

Em poucos segundos, João Câmara, no interior do Rio Grande do Norte, viveria a madrugada mais dramática de sua história, com reflexos que foram além: mudando a trajetória da sismologia brasileira e provocando o maior êxodo da história do município.

Naquele 30 de novembro de 1986, um terremoto de magnitude 5,1 atingiu o município na região do Mato Grande potiguar. O sismo foi o maior já registrado no Estado e um dos maiores do Brasil. Milhares de imóveis foram devastados e cerca de 10 mil pessoas ficaram desabrigadas.

Quase quarenta anos depois, a lembrança daquela madrugada continua viva na memória de quem presenciou o episódio.

O terremoto e outros sismos que a cidade e a região registram desde então são explicados pela 'Falha de Samambaia', a maior do país e que corta os municípios vizinhos. A gravidade do tremor também fez com que os brasileiros percebessem que o Brasil não é imune a abalos mais fortes.

Segundo o geofísico e especialista em sismologia, Aderson Nascimento, a localização geográfica de João Câmara faz com que sejam frequentes os registros. "É uma sismicidade que ainda ocorre."

O que mudou na sismologia?
 
O maior terremoto do Rio Grande do Norte mudou a forma como o Brasil estuda os abalos sísmicos.
O geólogo Joaquim Mendes Ferreira, que integrou a equipe da UFRN responsável por acompanhar a situação de João Câmara desde 1983, diz que a sequência teve papel central no monitoramento de terremotos no país.

"A história é dividida entre antes e depois de Cristo. A sismologia no Brasil, de certa maneira, também é dividida: antes de JC e depois de JC [João Câmara]", resume o professor.

Colega de equipe de Joaquim, o técnico em eletromecânica e especialista em sismologia Eduardo Alexandre acrescenta que a importância de João Câmara vai além da magnitude na Escala Richter. 

Segundo ele, a importância do episódio também é ligada ao fato de ter dado origem ao período mais longo sequência sísmica já registrada no Brasil.

"É a região que mais demorou registrando tremores, por mais de 10 anos. A evolução sísmica de João Câmara abriu novos caminhos de conhecimento nessa área", afirma.
 
Os tremores, inclusive, nunca cessaram completamente - mas ocorrem com menor intensidade. A última atividade sísmica registrada pelo LabSis em João Câmara ocorreu em 19 de fevereiro deste ano, de magnitude 1,7.

Com isso, o município do Mato Grande potiguar tornou-se um laboratório natural para pesquisas. Atraiu cientistas brasileiros e estrangeiros e impulsionou investimentos que ajudaram a fortalecer a sismologia como área de pesquisa.

"Vieram para João Câmara cientistas de ponta. De São Paulo, de Brasília, do Japão, dos Estados Unidos, Venezuela, Inglaterra, Grécia", conta José Ribamar Leite, prefeito da cidade em 1986.
 
A cidade também ajudou a consolidar o Laboratório Sismológico (LabSis/UFRN). Fundado na década de 1970, a atuação da unidade era focada na elaboração de relatórios até 1986.
 
Na era "antes de JC", o grupo de sismologia da universidade era formado por apenas três professores.

Quarenta anos depois, a estrutura é diferente. Pelo menos 15 pessoas, entre professor coordenador, equipe técnica e estudantes de graduação e pós-graduação, atuam diretamente hoje na área da sismologia.

É possível um novo grande abalo em João Câmara? Sim. Segundo especialistas, não existe tecnologia capaz de prever quando um terremoto acontecerá.

Reconstrução
 
Conforme os tremores perderam intensidade e a cidade começou a ser reconstruída, parte das famílias decidiu voltar e recomeçar praticamente do zero.

Já a partir de 1987, casas foram recuperadas, parte das famílias retornou e comércio voltou a funcionar. Francisca foi uma delas:

"João Câmara é a nossa cidade, nossa raiz. Vivi tudo aquilo, mas não aguentei ficar muito tempo longe daqui. Meu esposo nem esperou a ajuda do governo, ele mesmo reformou nossa casa e moramos aqui até hoje", relatou a aposentada.

G1
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Comentários dos Leitores

Rafael Bezerra comentou
"E o que deu a explosão de Alcântara, onde morreram todos os 21 técnicos e cientistas do programa espacial Brasileiro? Ficou como simples acidente. Uma pena, na semana seguinte, estaríamos para lançar nossos satélites e competir com EUA, Rússia, China e Japão, em grande vantagem de economia de combustível."
Rafael Bezerra comentou
"Tamo mal, no quesito segurança."
Rafael Bezerra comentou
"Vixi! lá vem esses loucos negacionistas, de novo."
Socorro Benevides comentou
"VENDA ESSA PORCARIA"
Socorro Benevides comentou
"Quem está golpeando o país descaradamente é justamente quem ta julgando. Esse país é um cabaré"