
Natal é a terceira capital do Nordeste e a oitava do Brasil com menor atendimento em esgotamento sanitário, de acordo com o Ranking do Saneamento 2025 do Instituto Trata Brasil (ITB). Os dados foram compilados levando em consideração os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), ano-base 2023, publicados pelo Ministério das Cidades. O índice de cobertura na capital potiguar, segundo o levantamento, é de 43,66%, o que representa uma queda de 10,13 pontos porcentuais em relação ao ranking de 2024 (ano-base 2022), que apontava Natal com 53,79% de cobertura.
Ainda de acordo com o levantamento, a capital potiguar caiu 16 posições no ranking geral, que mede o índice de cobertura de saneamento básico nos 100 municípios mais populosos do País. A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) esclareceu que a queda se deve a alterações na metodologia de cálculo do SNIS, que alinhou-se ao Censo mais recente do IBGE e “impactou diretamente a comparação com anos anteriores”. A Caern disse que a entrada em operação das Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) Jaguaribe e Guarapes deverá universalizar o saneamento na cidade.
A integralidade do serviço de saneamento na capital potiguar, no entanto, é prevista apenas para 2027, quando a ETE Guarapes deve entrar em funcionamento. Sobre a cobertura de esgotamento sanitário, a Caern informou que ela está distribuída da seguinte maneira: na zona Leste o serviço está praticamente universalizado, “atingindo mais de 98% da população”; na zona Sul, a maioria dos bairros já conta com cobertura de esgoto, de acordo com a Companhia. “As exceções são o bairro de Pitimbu (Cidade Satélite), uma pequena porção da Vila de Ponta Negra e cerca de 60% de Candelária, que ainda não possuem o serviço”, afirmou a Caern.
As demais regiões administrativas da cidade são as áreas onde a situação é mais crítica. Na zona Oeste, de acordo com a Caern, somente “os bairros de Alecrim e Quintas já são atendidos pelo sistema de esgotamento sanitário. A previsão é que os demais bairros também sejam beneficiados a partir de 2027, com a ativação da ETE Jundiaí-Guarapes”. Na zona Norte, apenas 3% do território é coberto pelo serviço.
Segundo a Caern, “a expectativa é que esse percentual suba para 43% em agosto, com a entrada em operação do primeiro módulo da ETE Jaguaribe. Até 2026, com a ativação do segundo módulo, a cobertura aumentará gradualmente para 95%”. A Estação de Tratamento Professor Cícero Onofre de Andrade Neto (ETE Jaguaribe) começou a ser construída há 8 anos, em 2017, e já teve a conclusão adiada diversas vezes.
Moradores convivem com mau cheiro
Não é difícil observar os efeitos da falta de atendimento relativo aos serviços de esgotamento sanitário na zona Norte da capital. Uma caminhada rápida por bairros como a Redinha é o suficiente para se deparar com situações como a da Rua da Paz, onde a água servida empossada em variados trechos ajuda a compor o cenário junto às casas e comércio da região. O mau cheiro é um dos primeiros problemas a ser sentido.