
O papa Leão XIV fez um apelo nesta quinta-feira (25) para que Rússia e Ucrânia tenham a “coragem” de dialogar de forma “direta” o fim da guerra. O pedido foi feito durante a mensagem “Urbi et Orbi” (“à cidade e ao mundo”), em seu primeiro Natal como líder da Igreja Católica.
"Rezamos especialmente pelo atribulado povo ucraniano, para que cesse o estrondo das armas e para que as partes envolvidas, com o apoio da comunidade internacional, encontrem a coragem para dialogar de maneira sincera, direta e respeitosa", declarou o pontífice.
A Ucrânia, invadida pela Rússia em fevereiro de 2022, aguarda uma resposta de Moscou a um plano atualizado dos Estados Unidos para tentar encerrar o conflito. As negociações diretas mais recentes ocorreram há seis meses e não resultaram em trégua.
Segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, o plano de Washington propõe o congelamento da linha de frente e a criação de zonas desmilitarizadas.
Na homilia da Missa do Galo, celebrada na quarta-feira (24), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, Leão XIV destacou a fragilidade das populações civis afetadas por guerras.
“Frágil é a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras, em curso ou concluídas, que deixam para trás escombros e feridas abertas”, afirmou.
O papa chamou atenção para a situação humanitária em Gaza, após dois anos de guerra entre o grupo Hamas e Israel, que deixou dezenas de milhares de mortos e forçou o deslocamento de grande parte da população.
Ele citou as “tendas de Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio”, e lembrou que centenas de milhares de pessoas enfrentam o inverno em condições extremas.
“Como então podemos não pensar nas tendas em Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio; e em tantos outros refugiados e deslocados internos em todos os continentes, ou nos abrigos improvisados de milhares de pessoas sem-teto em nossas próprias cidades?”, disse.
Leão XIV comparou a encarnação de Jesus a “uma tenda frágil entre nós” e questionou como não pensar nos refugiados, deslocados internos e pessoas sem-teto em diversas partes do mundo.
"Se ele realmente se colocasse no sofrimento alheio e se solidarizasse com os fracos e oprimidos, então o mundo mudaria", disse o Papa. “Ao se fazer homem, Jesus assumiu nossa fragilidade, identificando-se com cada um de nós: com aqueles que nada têm e perderam tudo, como os habitantes de Gaza; com aqueles que são vítimas da fome e da pobreza, como o povo iemenita; com aqueles que fogem de sua terra natal em busca de um futuro em outro lugar, como os muitos refugiados e migrantes que atravessam o Mediterrâneo ou percorrem o continente americano”.