
Em 2024, a região Nordeste teve o maior percentual de pessoas com baixo nível de conectividade significativa, ou seja, com dificuldade de acessar a internet de forma produtiva. Segundo a pesquisa TIC Domicílios, 44% da população nordestina apresentou os piores resultados nesse quesito. Na avaliação da professora Apuena Vieira Gomes, do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN), os números refletem uma série de desafios estruturais e socioeconômicos no acesso à internet.
A conectividade significativa considera que a internet deve oferecer mais do que o acesso básico, permitindo que os usuários aproveitem as oportunidades digitais. O Cetic.br criou uma forma de medir isso com nove indicadores em quatro áreas: custo, dispositivos, qualidade da conexão e uso. Esses indicadores foram usados para analisar os dados da pesquisa TIC Domicílios e avaliar o nível de conectividade das pessoas, que varia do mais baixo (0 a 2 pontos) ao mais alto (7 a 9 pontos).
No Brasil, 34% da população estava no grupo com menor nível de CS em 2024 e apenas a região Norte apresentou um percentual próximo ao Nordeste, com 41%. Já as maiores proporções no nível mais alto de CS foram observadas nas regiões Sul e Sudeste do país (33% e 28% da população, respectivamente) e as menores nas regiões Nordeste e Norte (11% e 12%, respectivamente).
A professora Apuena Vieira Gomes esclarece que entre os desafios estruturais para promover uma melhor conexão na região Nordeste é possível citar a baixa cobertura de fibra óptica em áreas rurais, a alta dependência de tecnologias móveis com baixa qualidade de sinal (3G ou 2G) e poucos investimentos em infraestrutura por parte das operadoras. Aliado a isso, ela observa que algumas regiões apresentam uma geografia que dificulta a instalação de equipamentos para conexão.
Para reduzir esse déficit de conectividade significativa na região Nordeste, a professora defende a promoção de ações com foco em infraestrutura, acessibilidade e capacitação digital. É o caso, por exemplo, da expansão de fibra óptica em parceria com municípios e estados, oferta de subsídio público para implantar mais torres e antenas 4g/5g, além da redução de tributos para pequenos provedores regionais .