
Banhistas revoltados com os preços abusivos praticados por quiosques em praias de Armação dos Búzios e Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, denunciaram a situação nas redes sociais, o que levou a intensificação da fiscalização pelo Procon.
Um dos vídeos, postados pela dentista Victória Pinheiro, alcançou mais de um milhão de visualizações só no TikTok. A moradora de Cabo Frio contou o quanto se sentiu constrangida e extorquida, no último sábado (27), ao não conseguir pedir nenhum dos petiscos de R$ 150, o valor mais barato do cardápio em um dos quiosques da Praia do Forte.
Como consumir qualquer item era uma regra para o uso da mesa, ela começou tentando pedir uma porção com seis pasteis.
"R$ 150 reais não é um valor baixo, a gente escolheu o mais barato. O garçom veio e falou que não tinha. Escolhemos outro na faixa de R$ 150, R$ 160, que era o bolinho de aipim, também seis unidades, e o garçom falou que não tinha. Pedimos um espeto de frango. Ele voltou e falou que não tinha...".
"Resolvemos pedir uma batata, que também era R$ 150, com aipim, e para nossa surpresa, também não tinha. Toda hora que escolhíamos alguma coisa, não tinha. A gente perguntou o que ele recomendava, e ele veio com aquele trio de R$ 360. Não queria vender nada abaixo de 200. A gente se sentiu muito coagido", contou a dentista.
No vídeo, ela explicou que, antes de se sentarem à mesa, perguntou como funcionava, sendo informada que precisaria consumir pelo menos um petisco.
"Ninguém falou nada de qual petisco tinha que consumir, qual era o valor mínimo, só falaram que a gente precisava fazer um pedido da cozinha", explicou.
Com a praia lotada e a demanda elevada por serviços na orla, as reclamações ligadas à exigência de consumo mínimo para uso de mesas, cadeiras e guarda-sóis se intensificaram.
Entre os valores citados estão porções simples, como batata frita e pastel, custando R$ 150, além de consumação mínima variando entre R$ 400 e R$ 500.
Ainda em Cabo Frio, turistas de Minas Gerais relataram ter pago R$ 450 por um prato de peixe que estava impróprio para o consumo.
Ao g1, turistas estrangeiros disseram que aceitaram a cobrança de consumação mínima por desconhecerem a legislação brasileira. Eles afirmaram que só depois souberam que a prática é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor e que a experiência gerou frustração, impactando a decisão de retornar ao local.
Reclamação em Búzios
Banhistas também criticaram os preços cobrados em uma das barracas da Praia de Geribá, em Armação dos Búzios.
Entre os itens mais caros, estavam refeições com acompanhamento simples saindo a R$ 470, como filé de frango com arroz, fritas e salada. O cardápio também oferece seis unidades de pastel a R$ 150, entre outros petiscos, como isca de peixe a R$ 190 e camarão a alho e óleo a R$ 200.
Na rede social X, um internauta também criticou os preços praticados
"Almoço a R$ 470, porção de peixe a R$ 400. Não é turismo, é teste de resistência econômica", escreveu. Outro fez alusão à influenciadora Virgínia, conhecida pela vida de luxo. "Quiosque da Virgínia? Turista vai a Búzios, pede petisco e quase precisa parcelar a merenda", brincou.