
Documento fala em 'deterioração' da situação no Brasil e na África do Sul, enquanto omite crise humanitária na Faixa de Gaza, em meio a ação militar de Israel, e suaviza tom sobre El Salvador, que mantém prisão para onde EUA tem mandado imigrantes.
Ao mesmo tempo em que fez críticas duras a países como Brasil e África do Sul, o relatório de direitos humanos produzido pelo governo de Donald Trump suavizou drasticamente as palavras em relação a governos aliados do presidente dos EUA, como El Salvador e Israel.
Em seu aguardado Relatório de Direitos Humanos de 2024, publicado nesta terça-feira (12), o Departamento de Estado americano também considerou haver uma erosão da liberdade de expressão na Europa.
O tom do documento difere em vários trechos das edições publicadas até o ano passado, pelo governo democrata de Joe Biden: qualquer crítica aos governos sobre cerceamento aos direitos das pessoas LGBTQIA+, frequentes nas últimas edições, parece ter sido amplamente omitida.
Além disso, ao contrário da gestão Biden, o governo republicano se referiu à invasão da Ucrânia pela Rússia como a "guerra Rússia-Ucrânia".
Israel e El Salvador
A seção do relatório sobre Israel deste ano (referente a 2024) muito mais curta do que a edição do ano passado (referente a 2023) e não continha nenhuma menção à grave crise humanitária ou ao número de mortos em Gaza.
Cerca de 61 mil pessoas morreram, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, vinculado ao Hamas, em consequência das operações militares israelenses em resposta a um ataque do grupo terrorista em outubro de 2023. O número é considerado confiável pela ONU e por organizações humanitárias.
O relatório foi adiado por meses, pois os indicados por Trump alteraram drasticamente um rascunho anterior do Departamento de Estado para alinhá-lo aos valores da doutrina trumpista "América em Primeiro Lugar" (MAGA, na sigla em inglês), de acordo com autoridades governamentais que falaram sob condição de anonimato à Reuters.