Mundo
1-1

Desde a publicação dos últimos arquivos do caso Epstein, não foram apenas as principais redações de notícias que começaram a vasculhar aquele vasto conjunto de documentos. O caso também despertou amplo interesse do público na internet.
 
Entre os "jornalistas cidadãos" independentes que apoiam este trabalho, está a escritora Ellie Leonard.

Dos Estados Unidos, ela trabalha em conjunto com outras pessoas para destrinchar o mais recente lote de documentos publicado pelo Departamento de Justiça americano.

"Preciso aceitar a ideia de que não consigo examinar integralmente 3,5 milhões de páginas", confidenciou Leonard à BBC.

Ela conta que, inicialmente, não sabia nada sobre Jeffrey Epstein (1953-2019). Mas ela começou a pesquisar as relações de Epstein com o presidente americano Donald Trump, inspirada pelo seu interesse na justiça social e sua oposição às políticas econômicas e de imigração do presidente.

O último lote de material, publicado em 30 de janeiro, incluiu três milhões de páginas, 180 mil imagens, 2 mil vídeos e uma série de nomes conhecidos, como os empresários Richard Branson, Bill Gates e Elon Musk.

Não há nenhuma indicação de que a menção deles nos documentos implique qualquer irregularidade. Muitas pessoas que aparecem nos documentos publicados anteriormente negaram ter cometido qualquer ilegalidade.
 
Leonard afirma que se demitiu do emprego na escola do seu filho no final de dezembro de 2025 para se dedicar a esta tarefa. Mas, com o aumento do material, ela logo percebeu que precisaria de ajuda.

A publicação recente veio semanas depois do prazo definido pela Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein, sancionada por Trump em novembro. A lei exigiu a publicação completa de todos os documentos relativos ao caso.

Leonard convidou pessoas de todo o mundo para ajudá-la a examinar os arquivos e "elas responderam ao meu chamado", nas suas palavras.

Ela calcula que bem mais de 1 mil jornalistas cidadãos, de países como a Coreia do Sul até a Noruega, se uniram ao seu projeto na plataforma online Substack. Eles têm interesses e especialidades variadas, desde a psicanálise e métrica de dados até o direito.

'Vou acreditar nelas'
 
Leonard tem experiência em simplificar documentos políticos complexos, para ajudar as pessoas a se informar melhor antes de votar. Por isso, ela sentiu que poderia ajudar da mesma forma com os arquivos de Epstein.

Mas sua principal motivação é conseguir justiça para as vítimas cujos relatos, muitas vezes, não receberam crédito.

"Quando as mulheres ou sobreviventes se apresentam e contam sua história, vou acreditar nelas. Vou dar a elas o benefício da dúvida."
 
"Depois, vou começar a procurar e encontrar o que elas dizem. Acho que é muito importante validar suas histórias desta forma", ela conta.

A abordagem do grupo é diferente da de muitos órgãos de imprensa. Em vez de começar pelo topo de cada lote de documentos recém-publicado, onde normalmente são encontrados os vídeos, cópias de tela e citações de maior circulação, ela aconselha o grupo a começar em outra parte.

"Quando sai uma nova pilha de arquivos, existem muitos pontos de destaque que as pessoas comentam sem parar... e eles costumam vir do começo das pilhas", explica ela.

"Por isso, sempre recomendo que as pessoas se dividam e comecem no meio, perto do fim ou de trás para frente, porque tudo está fora de ordem."

Dividindo os documentos desta forma, ela conta que o grupo pode comparar anotações, identificar lacunas e evitar trabalho em duplicidade muito mais facilmente.

"Todos estão procurando com seus próprios conhecimentos e sua própria parte dos arquivos e estamos todos trabalhando em conjunto", segundo Leonard.

G1
0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Receba todas as noticias em seu WhatsApp

Comentários dos Leitores

Rafael Bezerra comentou
"E o que deu a explosão de Alcântara, onde morreram todos os 21 técnicos e cientistas do programa espacial Brasileiro? Ficou como simples acidente. Uma pena, na semana seguinte, estaríamos para lançar nossos satélites e competir com EUA, Rússia, China e Japão, em grande vantagem de economia de combustível."
Rafael Bezerra comentou
"Tamo mal, no quesito segurança."
Rafael Bezerra comentou
"Vixi! lá vem esses loucos negacionistas, de novo."
Socorro Benevides comentou
"VENDA ESSA PORCARIA"
Socorro Benevides comentou
"Quem está golpeando o país descaradamente é justamente quem ta julgando. Esse país é um cabaré"