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O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, faz questão de transmitir a imagem de virilidade aos subordinados, exibindo-se em vídeos de flexões e exercícios de barra, que já foram criticados por serem executados de forma errada.

O novo projeto do chefe do Pentágono envolve testosterona: ele quer testar os níveis do hormônio dos militares a partir dos 30 anos e garantir, por meio da reposição, o desempenho ideal e a saúde a longo prazo dos combatentes americanos.
 
Apresentado num vídeo com o sugestivo nome de “O Departamento de Guerra com Alto Nível de Testosterona”, o argumento de Hegseth é bastante controverso entre a classe médica. Especialistas alertam para os riscos de um diagnóstico equivocado, baseado apenas em testes de sangue, e efeitos colaterais de um tratamento realizado sem necessidade, como problemas cardíacos e infertilidade.
 
Nas palavras do secretário, os militares diagnosticados com deficiência do hormônio poderiam receber a terapia de reposição de testosterona (TRT), para assegurar que “operem em seu máximo desempenho”.

“Não se trata de aprimoramento artificial, mas sim de restaurar e otimizar suas capacidades naturais, proteger a sua longevidade e garantir que você tenha a base biológica necessária para sustentar a luta”, explicou ele no vídeo, dirigindo-se aos soldados. Não ficou claro se as mulheres também serão submetidas aos testes.

A Sociedade Americana de Endocrinologia afirma que a terapia de reposição de testosterona requer sintomas claros e níveis consistentemente baixos do hormônio no sangue e desaconselha o tratamento baseado em uma simples triagem em homens assintomáticos. Médicos aconselham cautela com a TRT.
 
“Não existe almoço grátis. Há efeitos colaterais”, opinou o urologista Jeff Morrison, da Universidade de Colorado, à revista “Time”. “Se você tem interesse em melhorar a fertilidade, a TRT provavelmente não é uma boa opção.”

Vinda de Hegseth, a proposta suscita desconfiança por associar automaticamente o hormônio à masculinidade e à saúde. Ele impôs padrões rigorosos de condicionamento físico e aparência nas Forças Armadas, desprezando militares com sobrepeso.
 
Num discurso a oficiais em uma base militar da Virgínia, em setembro passado, o secretário declarou guerra aos “barrigudos e barbudos”. “A era da aparência inaceitável acabou”, decretou.

A diretiva sobre a medição de testosterona e aplicação da terapia de reposição alimenta a contradição de ter sido condenada pelo governo como tratamento para jovens transgênero. A proibição de pessoas trans nas Forças Armadas é uma das principais batalhas de Hegseth à frente do Pentágono.
 
A polêmica levou a juíza federal Ana Hayes a questionar, em um processo em andamento em Washington, quais seriam as diferenças entre a TRT oferecida a militares e o tratamento hormonal destinado a homens trans nas Forças Armadas.

No entender da congressista democrata Becca Balint, a exigência do secretário de Defesa de testar níveis de testosterona na população militar indica homoerotismo. “Acho que isso demonstra que há muitas pessoas neste governo que têm sentimentos homoeróticos estranhos e intensos em relação a homens, ao mesmo tempo que são incrivelmente homofóbicas.”

A iniciativa de Hegseth tem o aval do secretário de saúde, Robert Kennedy Jr., que admitiu fazer a terapia de reposição hormonal e compartilha com o colega, ainda que de calça jeans, a série intensa de exercícios físicos em público.

A proposta reforça a percepção de que o governo Trump transformou a testosterona em uma bandeira ideológica, incorporando-a ao debate sobre políticas, sem o consenso na comunidade científica.
 
 

G1
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Comentários dos Leitores

Rafael Bezerra comentou
"E o que deu a explosão de Alcântara, onde morreram todos os 21 técnicos e cientistas do programa espacial Brasileiro? Ficou como simples acidente. Uma pena, na semana seguinte, estaríamos para lançar nossos satélites e competir com EUA, Rússia, China e Japão, em grande vantagem de economia de combustível."
Rafael Bezerra comentou
"Tamo mal, no quesito segurança."
Rafael Bezerra comentou
"Vixi! lá vem esses loucos negacionistas, de novo."
Socorro Benevides comentou
"VENDA ESSA PORCARIA"
Socorro Benevides comentou
"Quem está golpeando o país descaradamente é justamente quem ta julgando. Esse país é um cabaré"