Pacaraima, no Norte de Roraima, é a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil e, depois que eles 'descobriram' o Pix, fizeram da cidade uma das campeãs em adesão a esse meio de pagamento.
O comerciante venezuelano David Garcia usa PIX até no país de origem, e o cabeleireiro John Peter, também venezuelano e morador de Pacaraima, recebe pagamentos dos conterrâneos por esse meio de pagamento — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR.
Pacaraima, cidade com pouco mais de 19 mil habitantes no extremo Norte de Roraima, fronteira com a Venezuela, tem 5 vezes mais usuários mensais de Pix do que moradores. São 106 mil pessoas usando a ferramenta, em média, a cada mês, segundo estudo lançado neste ano pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em dados de 2024.
Pacaraima atingiu uma taxa de adesão ao PIX de 550%, segundo o levantamento “Geografia do PIX”, da FGV, que mapeou em todo o país o uso desse meio de pagamento criado pelo Banco Central (entenda abaixo). O estudo calcula os usuários com base na área geográfica.
🔎Há cerca de 10 anos, a cidade recebe milhares de venezuelanos cruzam a fronteira fugindo da crise econômica e da instabilidade no país vizinho. O IBGE divulgou nesta sexta-feira (27) que 7.010 estrangeiros moram em Pacaraima, mas não especificou quantos são venezuelanos. Além desses moradores, a cidade recebe muitos visitantes do país vizinho que vêm e voltam, para fazer compras, por exemplo, e ainda tem um fluxo intenso de venezuelanos que migram diariamente.
➡️Para se ter ideia da corrente migratória na região, entre janeiro e setembro de 2024, 83.819 venezuelanos entraram no Brasil por Pacaraima, enquanto 8.335 saíram, segundo a Polícia Federal. Isso representa, em média, 329 entradas por dia.
O g1 foi ao município e constatou, nas ruas, a explicação do responsável pelo estudo, Lauro Gonzalez, para o sucesso do PIX na cidade: os números são reflexo do movimento intenso de venezuelanos que cruzam para o Brasil, seja para morar ou apenas fazer compras, e usam o PIX com frequência. E há quem use esse sistema de pagamento mesmo do outro lado da fronteira.
O comerciante venezuelano David Garcia, de 32 anos, por exemplo, mora em Santa Elena do Uairén, mas vai frequentemente a Pacaraima comprar e vender produtos. Ele tem CPF, conta bancária no Brasil e diz que o PIX virou o principal meio de pagamento no dia a dia.